A Assembleia Municipal da Cidade de Quelimane, na província da Zambézia, foi palco de mais um episódio que expõe as fissuras políticas no seio da oposição. O primeiro vice-presidente daquele órgão, Álvaro Carlitos Passo, foi afastado do cargo numa sessão dominada por tensões e divergências internas na bancada da RENAMO.
Para o seu lugar foi empossada Benedita Nhaculesele Atibo, que passa a assumir a vice-presidência da Assembleia Municipal. A mudança não acontece de forma isolada: surge poucos dias depois de uma tentativa falhada, também impulsionada por membros da RENAMO, de destituir o presidente da Assembleia Municipal.
A Delegação Política da RENAMO em Quelimane confirmou a decisão, ancorando-a no artigo 143 do regulamento interno, aprovado em Agosto de 2023. Contudo, o que poderia ser visto apenas como um cumprimento de normas regimentais é interpretado por analistas locais como reflexo de uma luta pelo controlo interno da bancada.
Instabilidade crónica
Quelimane, capital da Zambézia e um dos maiores bastiões da oposição em Moçambique, volta a dar sinais de instabilidade política. O afastamento de Passo soma-se a uma série de episódios recentes em que disputas de liderança, estratégias de sobrevivência partidária e alianças fragmentadas têm condicionado o funcionamento normal dos órgãos autárquicos.
A cidade, que já foi vista como vitrina da governação da RENAMO a nível municipal, parece hoje atolada em crises sucessivas. A substituição do vice-presidente revela não apenas uma divergência pontual, mas sim uma disputa de fundo sobre quem controla a narrativa e os rumos da bancada na autarquia.
Embora a nomeação de Atibo devolva momentaneamente alguma estabilidade formal à mesa da Assembleia, o clima político permanece carregado de incerteza. Questões como a implementação de políticas locais, a solução para falta de salários para os funcionários, o diálogo entre os partidos representados e a relação com a população correm o risco de ficar em segundo plano diante das disputas internas.
Na prática, a Assembleia Municipal de Quelimane continua a ser um espaço onde a política partidária se sobrepõe ao debate de soluções para os desafios concretos da cidade.

