Curandeiro aponta, sobrinhos atacam: tio quase morto à catana por feitiçaria em Nampula

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Quatro sobrinhos foram detidos pela Polícia da República de Moçambique (PRM), na cidade de Nampula, indiciados de tentativa de homicídio contra o próprio tio, num caso insólito alegadamente motivado por suspeitas de práticas de feitiçaria.

Os detidos, residentes na zona de Muacuche, no bairro de Muahivire, terão decidido atacar o familiar após várias consultas a um curandeiro. De acordo com a investigação policial, os quatro deslocaram-se por cinco vezes ao mesmo praticante tradicional, na tentativa de descobrir a origem de mortes recorrentes na família e as razões para o alegado insucesso financeiro que enfrentavam. Em todas as consultas, o tio foi apontado como o responsável pelos infortúnios.

Convencidos das suspeitas, os sobrinhos dirigiram-se à residência do familiar, onde o agrediram com recurso a uma catana e uma corda. Apesar da violência empregue, os suspeitos afirmam que não pretendiam matar o tio, mas apenas “dar um aviso”.

Apresentados à imprensa, os indiciados negaram a intenção homicida e justificaram o ataque com base nas conclusões do curandeiro.
“O nosso tio anda a matar-nos. Fomos ao curandeiro cinco vezes e ele foi sempre apontado. Todos os anos morrem jovens, mães e outras pessoas da família. Não queríamos matá-lo, só batemos como aviso”, afirmou um dos suspeitos.

Outro envolvido manifestou arrependimento, alegando que a agressão visava forçar uma confissão.
“Estou muito arrependido. A nossa intenção era chamá-lo para confessar a verdade. Peço que Deus nos ajude”, declarou.

A PRM confirmou que a intervenção rápida das autoridades evitou consequências mais graves. Os quatro suspeitos encontram-se detidos e aguardam os trâmites legais para a sua responsabilização criminal.

Falando à imprensa, a porta-voz da PRM em Nampula, Rosa Chauque, afirmou que, contrariamente ao alegado pelos indiciados, existia clara intenção de matar.
“Estes indivíduos tinham como objectivo tirar a vida do seu tio, alegadamente por práticas de feitiçaria. Acreditavam que ele enriquecia à custa da morte de familiares e, movidos por essa convicção, agrediram-no com intenção homicida”, esclareceu.

A PRM apelou à população para que não recorra à violência na resolução de conflitos familiares ou crenças supersticiosas, sublinhando que actos desta natureza constituem crime e são severamente punidos pela lei moçambicana.

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