Em Nampula, o futuro da educação está ameaçado por um conjunto de desafios estruturais que têm colocado cerca de 800 mil alunos a estudar em condições precárias. A província, que acolhe cerca de dois milhões de estudantes nos diferentes níveis de ensino, enfrenta uma crise de infraestruturas escolares que se manifesta na forma de salas improvisadas, turmas superlotadas e falta crônica de professores.
Durante a Primeira Reunião Provincial de Planificação do sector de Educação para o quinquénio 2025-2029, realizada recentemente na cidade de Nampula, o Director provincial da Educação, William Tunzine, revelou que cerca de 40% dos alunos estudam em condições não condignas. “Temos muitos alunos a estudar em salas improvisadas, sem estruturas permanentes. Quando chove, não têm aulas. Isso é muito grave para o processo de aprendizagem”, afirmou.
A situação é ainda mais dramática nas zonas periurbanas e rurais, onde as escolas enfrentam dificuldades em manter estruturas básicas como carteiras, quadros, casas de banho e coberturas que resistam às intempéries. Em vários distritos, os alunos frequentam aulas debaixo de árvores, em tendas, ou em salas com cobertura de palha e sem paredes.
Outro problema estrutural levantado por Tunzine é a sobrecarga das turmas. Em média, o rácio em Nampula é de 72 alunos por cada professor, mas esse número pode ultrapassar os 100 em algumas escolas da cidade. “Não é possível garantir um ensino de qualidade com 100 alunos numa só sala. O professor não consegue controlar nem acompanhar o ritmo de aprendizagem individual de cada aluno”, alertou.
A escassez de professores é atribuída a vários factores, entre eles o crescimento populacional acelerado e o baixo ritmo de contratação de novos docentes. Para enfrentar este cenário, a Direcção Provincial defende uma estratégia de contratação massiva de professores e um plano robusto de construção e reabilitação de infraestruturas escolares.
A reunião de planificação também abordou a necessidade de criar salas resilientes, capazes de resistir a desastres naturais e garantir a continuidade das aulas mesmo em períodos de chuvas intensas. “Nampula precisa de infraestruturas escolares dignas, com materiais duradouros, segurança e condições mínimas para o processo de ensino e aprendizagem”, concluiu Tunzine.
A reunião terminou com um apelo à mobilização de recursos junto dos parceiros de cooperação e ao Governo central para responder, com urgência, ao drama vivido por centenas de milhares de crianças que hoje aprendem em condições indignas.
Por Lourenço Soares

