Eduardo Abdula declara guerra à ‘Makha’ que arrasta jovens de Nampula para o abismo

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O governador da província de Nampula, Eduardo Abdula, declarou uma ofensiva sem precedentes contra o consumo e tráfico de drogas, com destaque para a metanfetamina, localmente conhecida como “makha”, cuja disseminação atinge níveis considerados alarmantes.

Dados das autoridades indicam que entre 30 a 40 indivíduos são detidos semanalmente pela polícia, numa tendência que expõe a dimensão do problema e a crescente pressão sobre as instituições de segurança.

O fenómeno tem vindo a agravar-se, com impactos visíveis no tecido social, particularmente entre os jovens. Famílias desestruturadas, abandono escolar e aumento da insegurança comunitária são algumas das consequências já identificadas. Perante este cenário, várias organizações da sociedade civil têm promovido manifestações públicas, exigindo respostas mais eficazes por parte do governo.

Sob forte pressão social, o executivo provincial avançou com um plano de intervenção de 90 dias, que prevê uma actuação intensiva e coordenada para travar o avanço da droga na região.

Durante o lançamento da iniciativa, Eduardo Abdula garantiu “tolerância zero” no combate ao fenómeno, afirmando que a província não pode continuar associada ao consumo de estupefacientes. “Estamos a falar da destruição do futuro da nossa juventude e isso não pode ser normalizado”, declarou.

O plano inclui operações policiais contínuas, campanhas de sensibilização e medidas de apoio ao tratamento de dependentes. As forças de defesa e segurança foram instruídas a actuar em toda a cadeia do tráfico, desde os financiadores até aos vendedores de pequena escala.

O governo promete ainda desmantelar pontos de venda, encerrar locais de consumo e responsabilizar criminalmente os envolvidos, reforçando a presença do Estado nas zonas consideradas críticas.

Em paralelo, serão intensificadas acções de prevenção nas escolas e comunidades, com enfoque na ocupação dos jovens através de actividades sociais e educativas. O envolvimento das famílias, líderes religiosos e organizações comunitárias é apontado como essencial para o sucesso da estratégia.

Entre as medidas anunciadas consta também a criação de linhas verdes para denúncias anónimas, em parceria com empresas de telefonia móvel, visando facilitar a participação da população no combate ao fenómeno.

Dados apresentados pela directora provincial do Gabinete de Combate à Droga, Isabel Alberto, revelam que cerca de quatro mil jovens deram entrada no Hospital Psiquiátrico de Nampula devido ao consumo de drogas, sobretudo metanfetamina, evidenciando a gravidade da crise.

Por sua vez, o director executivo da Associação Aliança Comunitária, Ercio Lópes, afirmou que a organização tem assistido centenas de jovens em processo de reabilitação, defendendo uma abordagem inclusiva e multissectorial no combate à droga.

A luta contra a “makha” entra, assim, numa nova fase em Nampula, marcada por promessas de acção firme, num contexto em que a urgência de resultados se torna cada vez mais evidente.

Agostinho Miguel

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