O sector da saúde na província de Nampula reconheceu a existência de falhas na provisão de serviços básicos em várias unidades sanitárias, numa altura em que aumentam denúncias de condições precárias que colocam em risco a vida de pacientes.
A admissão surge dias após uma investigação do NGANI, que expôs a falta de água potável e energia eléctrica em diversos centros de saúde, sobretudo nos distritos.
Perante a pressão, a Direcção Provincial de Saúde confirmou que há unidades a funcionar sem condições mínimas para garantir um atendimento seguro. Ainda assim, não avançou dados concretos sobre a dimensão do problema.
A directora provincial de Saúde, Selma Xavier, reconheceu limitações no sistema, admitindo a existência de hospitais sem acesso regular à água e à electricidade.
“Temos unidades sanitárias que não têm água e outras que não têm energia do sistema”, afirmou.
Apesar do reconhecimento, a responsável não soube indicar o número de unidades afectadas, evidenciando fragilidades na monitoria do sector. Segundo explicou, está em curso um levantamento em coordenação com as Obras Públicas para identificar as unidades mais críticas.
Entre as medidas em perspectiva está a instalação de furos de água, com o objectivo de garantir condições mínimas de biossegurança. No entanto, não foram apresentados prazos concretos para a resolução dos problemas.
“Estamos a fazer o mapeamento para encontrar soluções. Esperamos, nos próximos dias, minimizar a situação”, disse.
Realidade no terreno agrava preocupações
No terreno, os relatos de utentes contrastam com o discurso oficial. Em distritos como Rapale e Anchilo, a situação é descrita como crítica.
Em Rapale, a ausência de água potável obriga pacientes e acompanhantes a recorrerem a fontes improvisadas, incluindo o rio local, para consumo e higiene. A falta de sanitários funcionais agrava o quadro de insalubridade.
Já em Anchilo, a escassez de energia eléctrica compromete cuidados básicos, com relatos de partos realizados à luz de lanternas de telemóveis, colocando em risco mães e recém-nascidos.
Há ainda indicações de que profissionais de saúde recorrem a recursos próprios para manter os serviços operacionais, incluindo a compra de créditos de energia, num cenário que expõe a fragilidade estrutural do sistema.
A situação levanta questões sobre a gestão do sector e a prioridade atribuída à saúde pública, num país que assinala 50 anos de independência ainda com carências básicas em unidades sanitárias.
Perante este cenário, cresce a pressão sobre as autoridades para a adopção de medidas urgentes que garantam condições mínimas de funcionamento nos hospitais e restabeleçam a dignidade no atendimento aos cidadãos.
Agostinho Miguel

