Seis indivíduos, entre os quais dois professores afectos ao distrito de Eráti, encontram-se detidos na 1.ª Esquadra da Polícia da República de Moçambique (PRM), na cidade de Nampula, indiciados de envolvimento em crimes de assalto e roubo em residências.
De acordo com a corporação, o grupo — alegadamente liderado por um professor de 32 anos — é suspeito de protagonizar também sequestros de agentes de moeda electrónica, exigindo pagamentos para a libertação das vítimas.
A porta-voz da PRM em Nampula, Rosa Chauque, explicou que se trata de uma quadrilha organizada, cuja actuação vinha sendo denunciada há algum tempo pelas comunidades do distrito de Erati, localizado a norte da província.
Segundo as investigações, o presumível líder usava a sua posição para identificar alvos, maioritariamente agentes económicos ligados a serviços de carteira móvel, passando depois à fase de planeamento dos assaltos.
Os suspeitos, ainda segundo a polícia, invadiam residências munidos de armas brancas, agrediam as vítimas e exigiam dinheiro, recorrendo à violência sempre que não encontravam valores.
Um dos episódios considerados mais chocantes envolveu o assalto à residência de uma professora, colega de um dos integrantes do grupo, evidenciando o grau de ousadia e ausência de escrúpulos por parte dos indiciados.
Face às reiteradas denúncias, a PRM desencadeou operações que culminaram na detenção dos seis indivíduos, alguns dos quais provenientes da cidade de Nampula, alegadamente recrutados para reforçar as acções criminosas em Erati.
A polícia considera particularmente preocupante o envolvimento de professores neste tipo de crimes, sublinhando a contradição entre a função social que exercem e as práticas de que são acusados.
“É uma situação que nos preocupa, porque são pessoas que deviam transmitir valores à sociedade, mas optaram por práticas criminosas”, afirmou Rosa Chauque.
As autoridades asseguram que as investigações prosseguem, com vista à captura de outros membros ainda foragidos e ao desmantelamento de redes semelhantes que operam na província.
Entretanto, um dos principais suspeitos confessou o seu envolvimento, alegando que tudo começou com uma iniciativa ligada a negócios de moeda electrónica, mas que evoluiu para práticas criminosas.
“Estou arrependido. Nunca pensei chegar a este ponto. Foi um erro que destruiu a minha vida e peço desculpas à sociedade e à classe dos professores”, declarou.
Um outro arguido, também professor, nega participação directa nos crimes, afirmando que apenas estabeleceu o contacto inicial entre membros do grupo, sem conhecimento das intenções criminosas.
Na mesma ocasião, a PRM apresentou ainda dois indivíduos detidos no bairro de Mutauanha, na cidade de Nampula, por consumo e comercialização de droga, concretamente cannabis sativa, vulgarmente conhecida por “suruma”.
A corporação apela à colaboração da população na denúncia de crimes, sublinhando que o combate à criminalidade depende do envolvimento colectivo para garantir a ordem, segurança e tranquilidade públicas. Agostinho Miguel

