As autoridades do distrito de Nacaroa reforçaram o estado de vigilância após os ataques terroristas que, na semana passada, deixaram rasto de destruição em Memba, província de Nampula. A informação foi avançada pela administradora distrital, Haia Paquile, que garantiu que a situação permanece calma, embora o alerta continue elevado.
“Estamos a trabalhar com as lideranças comunitárias para intensificar a vigilância nas comunidades, incluindo professores e outros agentes locais, de modo a que qualquer movimento estranho seja prontamente reportado às autoridades competentes”, disse Paquile, sublinhando a importância da colaboração popular na prevenção de possíveis incursões.
Segundo a administradora, Nacaroa continua a acolher famílias deslocadas dos ataques registados há dois ou três anos, as quais já se encontram integradas no distrito. “Desta vez, não temos registo de novas entradas de deslocados, apesar dos recentes acontecimentos”, acrescentou.
Nacaroa faz limite com Memba, onde, na semana passada, um grupo terrorista atacou várias aldeias, incendiando 45 casas e obrigando dezenas de famílias a fugir. O ataque marcou o mais recente episódio da expansão da violência armada que, desde 2017, afecta a província de Cabo Delgado e começa a preocupar distritos vizinhos em Nampula.
Terroristas voltam a invadir Mocímboa da Praia
Entretanto, a insegurança voltou a fazer-se sentir em Mocímboa da Praia, em Cabo Delgado, onde um grupo armado voltou a entrar na vila sede na noite desta terça-feira, 07 de Outubro.
De acordo com as autoridades locais, os insurgentes invadiram uma mesquita no bairro de Milamba, obrigando parte da população a concentrar-se no interior do templo religioso. Durante o incidente, que ocorreu por volta das 19 horas, os atacantes reafirmaram a intenção de criar um “Estado Islâmico” em Cabo Delgado.
Um vídeo amador, amplamente partilhado nas redes sociais, mostra homens armados e fardados, empunhando armas de fogo no interior da mesquita e exibindo uma bandeira negra. No registo, um dos insurgentes afirma: “Não somos bandidos como dizem. Somos filhos de Alá. Esta bandeira não é de Nyusi, é de Alá.”
O administrador distrital de Mocímboa da Praia, Sérgio Cipriano, confirmou o incidente e assegurou que não houve vítimas humanas nem danos materiais. “Eles entraram na zona de Nabubussi por via marítima, aproveitando a maré baixa.
Invadiram a mesquita — inclusive as áreas sagradas onde não entram mulheres nem calçados — mas já haviam fugido para as matas em direcção à aldeia de Ulo quando as forças chegaram ao local”, relatou Cipriano.
A presença do grupo armado causou pânico entre os residentes, mas o administrador garante que a calma está a ser restabelecida. “Houve pânico, naturalmente, mas a situação está normalizada. Os serviços e o comércio funcionam com regularidade”, assegurou.
Esta foi a terceira incursão do grupo armado em Mocímboa da Praia desde que o distrito voltou ao controlo do Estado, em 2021, após ter permanecido ocupado pelos insurgentes entre 2020 e 2021. Actualmente, a segurança da região é garantida por forças conjuntas de Moçambique e do Ruanda.

