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Sociedade

Denúncias de má gestão paralisam projecto da USAID e deixam centenas de trabalhadores sem salário

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Um alegado escândalo de desvio de fundos está a abalar o projecto USAID-FILOVC-OCSIDA, iniciativa financiada pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e implementada pela organização OCSIDA.

O programa, criado para apoiar crianças órfãs e vulneráveis afectadas pelo HIV e suas famílias, foi abruptamente suspenso, deixando centenas de trabalhadores e organizações parceiras em situação de abandono.

Fontes ligadas ao projecto relatam que a decisão de encerrar as actividades resultou de suspeitas de uso indevido de fundos por parte da OCSIDA, alegadamente em conluio com antigos colaboradores da USAID Moçambique. A quantia em causa poderá ascender a vários milhões de dólares, destinados a acções comunitárias de assistência social e prevenção do HIV nas províncias de Inhambane, Gaza, Maputo Província e Cidade de Maputo.

Contratos cancelados e trabalhadores ao abandono

Na sequência das suspeitas, a USAID terá decidido rescindir os contratos com todas as Organizações Comunitárias de Base (OCBs) envolvidas na implementação local do programa — entre elas, Livaningo, ACTIVA, MozHop e CMA —, paralisando por completo as operações.

A interrupção súbita deixou centenas de técnicos, activistas e facilitadores sociais sem salário há mais de quatro meses, sem aviso prévio ou compensação. Muitos relatam que, enquanto enfrentam dificuldades financeiras, os gestores da OCSIDA terão recebido normalmente os seus vencimentos.

“Trabalhámos com dedicação durante anos para apoiar crianças vulneráveis, mas fomos abandonados sem explicações. Apenas pedimos justiça e o pagamento do que nos é devido”, lamentou um dos trabalhadores lesados, ouvido sob anonimato.

A indignação levou um grupo de colaboradores afectados a organizar uma manifestação pacífica nas instalações da MozHop, em Maputo, exigindo transparência na gestão dos fundos e responsabilização dos envolvidos.

Os manifestantes apelam à Embaixada dos Estados Unidos da América em Moçambique e às autoridades nacionais competentes — incluindo o Ministério da Justiça e o Gabinete Central de Combate à Corrupção — para que o caso seja devidamente apurado.

O director executivo da OCSIDA, Francisco Matavel, é apontado por vários ex-colaboradores como o principal responsável pela alegada má gestão financeira e pela falta de prestação de contas. Tentativas de contacto feitas pelo NGANI junto da direcção da organização não obtiveram resposta até ao fecho desta notícia.

Enquanto isso, as comunidades que deveriam beneficiar do programa — incluindo crianças órfãs, famílias em situação de pobreza extrema e pessoas vivendo com HIV — ficaram sem qualquer apoio, após a suspensão das actividades.

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