O Arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saúre, alertou para o agravamento da pobreza, do consumo de drogas entre adolescentes e jovens e da violência na sociedade moçambicana, considerando estes fenómenos sinais de uma crise social que ameaça os valores de convivência e dignidade humana.
A intervenção ocorreu este domingo (16 de Agosto), durante a missa de envio dos peregrinos no Santuário Maria Mãe do Redentor, em Meconta, onde o prelado apelou às famílias, comunidades, Igreja e autoridades para assumirem maior responsabilidade na resposta aos problemas que afectam sobretudo os grupos mais vulneráveis.
Segundo a Revista Vida Nova, que divulgou a intervenção, Dom Inácio manifestou particular preocupação com o aumento da violência e dos assaltos, bem como com o consumo de drogas entre jovens, considerando que estes fenómenos revelam uma deterioração das condições sociais e familiares.

O Arcebispo recordou ainda o recente ataque contra religiosas em Mecuburi, apontando o episódio como mais um sinal da vulnerabilidade de pessoas que deveriam encontrar protecção e segurança nas suas comunidades.
“Há muito sofrimento na nossa terra”, alertou Dom Inácio, citado pela Revista Vida Nova, durante a celebração que reuniu milhares de peregrinos.
“Dai-lhes vós mesmos de comer”
Perante os peregrinos, o Arcebispo defendeu que a resposta à pobreza e ao sofrimento não pode limitar-se a discursos ou à intervenção das instituições públicas.
Inspirando-se no apelo bíblico “Dai-lhes vós mesmos de comer”, Dom Inácio exortou os cristãos a transformar a fé em acções concretas de partilha, solidariedade e serviço aos que enfrentam situações de pobreza e exclusão.
Para o prelado, a transformação da sociedade exige também uma mudança de comportamento individual e colectivo, com maior valorização da vida, da dignidade humana e da responsabilidade pelo próximo.
A Revista Vida Nova relata que Dom Inácio apelou igualmente à santidade como caminho para uma mudança profunda da sociedade, defendendo que os cristãos devem assumir um papel activo na resposta aos problemas que afectam as suas comunidades.
O Arcebispo considera que pobreza, drogas e violência não podem ser encaradas como problemas isolados, mas como fenómenos que exigem uma resposta articulada entre famílias, comunidades, instituições religiosas e autoridades. Redacção
