Ministro João Matlombe apresenta três programas estruturantes e anuncia transporte escolar público a partir deste ano
O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, apresentou, esta semana, no Instituto Superior de Transportes e Comunicações (ISUTC), três projectos estruturantes destinados a renovar e tornar mais resiliente a rede viária nacional, numa estratégia que inclui o envolvimento directo de estudantes de engenharia no processo.
Durante o encontro com os estudantes, o governante explicou que a iniciativa visa integrar jovens universitários nas fases de desenho, construção e fiscalização das infraestruturas rodoviárias, com o objectivo de reforçar a qualidade das obras e promover a aplicação eficiente dos recursos públicos.
“Queremos assegurar a qualidade das obras e a boa aplicação dos recursos financeiros do país”, afirmou Matlombe, sublinhando que o envolvimento académico permitirá também consolidar competências técnicas e melhorar os mecanismos de controlo.
A aposta surge num contexto em que o país continua vulnerável a fenómenos climáticos extremos. O ministro recordou que as chuvas intensas registadas no início do ano provocaram a interrupção da circulação na Estrada Nacional Número Um (N1), a principal via que liga o norte ao sul de Moçambique.

Perante este cenário, Matlombe defendeu a necessidade urgente de investir em infraestruturas resilientes. “Não podemos continuar reféns das intempéries. Países como Madagáscar e Filipinas enfrentam desafios semelhantes, mas optaram por soluções estruturais. É esse caminho que devemos seguir”, destacou.
Os três programas apresentados incluem o Programa Acelerado de Reabilitação e Construção de Estradas Nacionais, o Programa de Construção de Estradas Rurais e o Projecto de Estrada Alternativa à N1. Este último surge como resposta à dependência crítica de uma única via para a ligação entre as regiões do país.
“O país não pode continuar a depender de uma única estrada para se conectar”, advertiu o ministro, defendendo igualmente a necessidade de investir no transporte ferroviário como complemento estratégico. Segundo explicou, o sistema ferroviário representa uma alternativa mais económica, podendo reduzir significativamente os custos logísticos, actualmente estimados entre 30 a 40 por cento.
No mesmo encontro, o governante anunciou ainda a introdução, no segundo semestre deste ano, de um projecto-piloto de transporte público escolar destinado a estudantes do ensino secundário. A iniciativa arrancará na Área Metropolitana de Maputo, com perspectiva de expansão para as cidades da Beira e Nampula.
“Estamos a falar de viaturas adquiridas especificamente para estudantes, como forma de melhorar o acesso à educação e garantir maior segurança no transporte”, referiu.
Por sua vez, o reitor do ISUTC, Fernando Leite Couto, encorajou os estudantes a aproveitarem a oportunidade, classificando a iniciativa como um momento singular de integração entre formação académica e prática profissional.
“Esta é uma oportunidade única. Esperamos de vocês maior dedicação e compromisso, respondendo positivamente à confiança que está a ser depositada”, afirmou.
A iniciativa do Governo surge num momento em que o país procura soluções estruturais para os desafios crónicos do sector de transportes, marcados pela fragilidade das infraestruturas e pelos elevados custos logísticos, que continuam a travar o desenvolvimento económico. Redacção
