Bispos Católicos denunciam crise social, manipulação política e perda de confiança no país

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A Conferência Episcopal de Moçambique lançou um alerta contundente sobre a degradação das condições sociais, económicas e políticas no país, apontando o crescimento da pobreza, o desgaste das instituições públicas e o aumento da manipulação no discurso político como alguns dos principais desafios que Moçambique enfrenta actualmente.

A posição consta da mensagem final da 132ª Assembleia Plenária dos bispos católicos, realizada de 14 a 21 de Abril, na cidade da Matola, onde a Igreja fez uma leitura crítica do momento nacional e apelou a uma mudança de rumo baseada no diálogo, na reconciliação e na responsabilidade política.

Crise social profunda e serviços públicos em colapso

Os bispos traçam um retrato preocupante da realidade nacional, destacando o agravamento das condições de vida dos cidadãos. Entre os principais problemas apontados estão a pobreza crescente, a deterioração da qualidade da educação, a escassez de medicamentos nos hospitais e a degradação das infraestruturas, sobretudo das estradas.

A Igreja denuncia ainda as dificuldades de acesso à habitação e aos cuidados de saúde, bem como o aumento do sofrimento das famílias, num contexto marcado por crises sucessivas e por uma economia fragilizada.

A situação é agravada pelas consequências do conflito armado em Cabo Delgado, pelas calamidades naturais e pelos impactos da instabilidade internacional, factores que, segundo os bispos, continuam a pressionar negativamente o quotidiano das populações.

Num dos pontos mais sensíveis da mensagem, a Conferência Episcopal alerta para um ambiente crescente de desalento e desconfiança entre os cidadãos, sobretudo entre os jovens, que se mostram cada vez mais descrentes em relação ao futuro.

Segundo os bispos, este cenário está a abrir espaço para práticas políticas baseadas na manipulação e propaganda, em detrimento da busca de soluções concretas para os problemas do país.

“A forma de fazer política tende a alimentar-se mais da manipulação e da propaganda do que de respostas efectivas e realistas”, sublinham, numa crítica directa ao actual funcionamento do sistema político.

Perante este quadro, a Igreja Católica defende a necessidade urgente de reforçar o diálogo nacional inclusivo como instrumento para restaurar a confiança e promover a reconciliação entre os moçambicanos.

Os bispos apelam a um maior envolvimento cívico e político dos cidadãos, inspirado em valores éticos e na busca do bem comum, insistindo que a esperança deve traduzir-se em mudanças concretas na vida das pessoas.

Neste contexto, a Conferência Episcopal anunciou como tema da próxima Semana Nacional de Fé e Compromisso Social: “Dialogar para reconciliar o povo moçambicano”, numa clara tentativa de colocar a reconciliação no centro da agenda nacional.

Corrupção, conflitos e apelo à paz

A mensagem dos bispos ecoa também preocupações levantadas pelo Papa Leão XIV durante a sua recente visita a África, marcada por críticas à corrupção e por apelos firmes à construção da paz.

Os prelados moçambicanos alinham-se com esta posição, denunciando contextos de violência e injustiça, tanto a nível internacional como interno, e defendendo uma convivência baseada na dignidade humana.

A Conferência Episcopal reafirma ainda o compromisso da Igreja em contribuir para o diálogo político e para o desenvolvimento de sectores-chave como a educação e a saúde.

Os bispos recordam que a Igreja pretende continuar a desempenhar um papel activo na mediação social, sobretudo num momento em que o país enfrenta múltiplas crises simultâneas.

A mensagem termina com um apelo claro: Moçambique precisa de mais do que discursos — precisa de soluções concretas, liderança responsável e um compromisso genuíno com o bem-estar da população. Agostinho Miguel

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