O Governo lançou nesta semana, em Maputo, a plataforma AgriConnect, uma iniciativa destinada a acelerar a transformação do sector agrário e pesqueiro em Moçambique, reforçar a segurança alimentar e promover a criação de empregos, sobretudo para mulheres e jovens.
A cerimónia de lançamento foi dirigida pelo Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, que afirmou que a nova plataforma deverá funcionar como um instrumento estratégico para dinamizar o agronegócio e fortalecer as cadeias de valor agrícolas no país.
Segundo o governante, o objectivo é construir uma base produtiva sustentável e resiliente, capaz de responder às necessidades alimentares da população e aumentar o contributo do sector para a economia nacional. “O que queremos, no final do dia, é construir uma base sustentável, sólida e resiliente”, afirmou Albino, acrescentando que a iniciativa pretende também ampliar oportunidades económicas no meio rural.
Entre as prioridades da plataforma estão o fortalecimento de cadeias de valor já consolidadas, como banana, açúcar, algodão e castanha de caju, bem como o desenvolvimento de cadeias emergentes consideradas estratégicas, nomeadamente arroz, milho, feijão e tilápia. Estas áreas apresentam elevado potencial produtivo, mas ainda enfrentam forte dependência de importações.
Outro eixo central da iniciativa é promover a transição da informalidade para a formalidade no sector agrário. A integração de milhões de produtores no sistema formal deverá facilitar o acesso ao crédito, permitir a celebração de contratos comerciais e melhorar a inserção dos agricultores nos mercados.
Neste processo, o Governo considera que a digitalização do sector será determinante para apoiar o registo de produtores, o acesso a informação de mercado e a ligação entre produtores, financiadores e compradores.
O ministro destacou ainda a necessidade de reforçar o sistema nacional de sementes, expandir os serviços de extensão rural com foco no agronegócio e investir em infra-estruturas de irrigação e reservas de água, consideradas essenciais para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.

Albino defendeu também a criação de instrumentos financeiros adaptados à realidade dos pequenos produtores, particularmente mulheres e agricultores familiares, que enfrentam maiores dificuldades de acesso ao sistema bancário formal.
Na ocasião, o director do Grupo do Banco Mundial para Moçambique e Região, Fily Sissoko, afirmou que a iniciativa está alinhada com a nova estratégia de parceria entre a instituição e o país, que coloca o emprego e as oportunidades económicas no centro da cooperação.
Segundo Sissoko, o sector agrícola representa cerca de 26% do Produto Interno Bruto (PIB) de Moçambique e emprega aproximadamente 70% da população, sendo por isso um dos sectores com maior potencial para impulsionar o crescimento económico e absorver mão-de-obra jovem.
O responsável acrescentou que o AgriConnect será apoiado pelo Programa de Desenvolvimento da Cadeia de Valor do Agronegócio de Moçambique (MozAgriBiz), actualmente em preparação, que prevê um investimento estimado em 500 milhões de dólares ao longo dos próximos dez anos.
O programa pretende mobilizar financiamento, alinhar investimentos públicos e atrair capital privado para cadeias de valor prioritárias, com especial atenção aos pequenos produtores, que representam cerca de 98% dos agricultores do país.
Por sua vez, o representante da Federação Nacional das Associações Agrárias (FENAGRI), Ângelo Cumaio, considerou a iniciativa positiva por promover a ligação entre produtores, financiadores e mercados consumidores.
Cumaio manifestou, contudo, a expectativa de que sejam criadas condições para que os produtores com menor capacidade organizativa também consigam aceder aos instrumentos disponibilizados pela plataforma.
Já o director-geral da AgriRede, Litos Raimundo, afirmou que o AgriConnect representa um compromisso colectivo de fortalecer a ligação entre produtores, cooperativas e pequenas e médias empresas agrárias, permitindo-lhes competir num contexto marcado por desafios climáticos e volatilidade de mercados.
Segundo Raimundo, o grupo de trabalho ligado à iniciativa deverá apoiar a implementação das prioridades definidas no Programa Quinquenal do Governo 2025-2029.
Com o lançamento do AgriConnect, o Governo e os parceiros de cooperação esperam transformar o sector agrário num motor mais robusto de crescimento económico, inclusão social e desenvolvimento sustentável em Moçambique. Redacção
