África precisa das empresas para sair das crises – defende Banco Africano de Desenvolvimento

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A vice-presidente sénior do Grupo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Marie-Laure Akin-Olugbade, defendeu um maior envolvimento do sector privado nas respostas a crises humanitárias, sublinhando que as empresas desempenham um papel central na recuperação económica de países afectados por conflitos e catástrofes.

A posição foi apresentada durante a quinta edição do Fórum de Cooperação Internacional de Genebra, realizada nos dias 26 e 27 de Fevereiro de 2026, no Centro Internacional de Conferências de Genebra, na Suíça. O evento foi organizado pela Direção de Desenvolvimento e Cooperação do Departamento Federal de Relações Exteriores da Suíça.

Akin-Olugbade participou num painel de alto nível dedicado ao tema “Envolver o sector privado na ação humanitária”, ao lado de representantes do sector empresarial e especialistas internacionais. O debate foi moderado pelo embaixador Pietro Lazzeri, chefe da Divisão de Cooperação e Desenvolvimento Económico do Secretariado de Estado da Economia da Suíça.

Ao abrir a discussão, Lazzeri questionou de que forma o sector privado pode participar de forma responsável nas soluções humanitárias, num contexto global marcado pela redução de recursos financeiros para a ajuda internacional.

Durante o debate, os participantes defenderam que a participação das empresas deve basear-se numa responsabilidade partilhada, respeitando os princípios humanitários e reforçando a capacidade de intervenção dos Estados, sem substituí-los.

A vice-presidente do BAD destacou que muitas crises humanitárias têm impactos diretos nas economias locais.

“Por trás de cada crise, há mercados em colapso e empregos perdidos”, afirmou Akin-Olugbade, acrescentando que em África cerca de 80% da população activa trabalha no sector privado, o que coloca as empresas no centro das dinâmicas de prevenção, estabilização e recuperação económica.

Segundo a responsável, o Grupo Banco Africano de Desenvolvimento procura complementar a ação das organizações humanitárias, intervindo com instrumentos financeiros e programas de apoio que permitam reativar as economias locais.

Entre os exemplos apresentados está o caso de Madagáscar, onde o Banco, através do Mecanismo de Apoio à Transição, facilitou o acesso ao financiamento bancário para mais de 300 micro e pequenas empresas.

No Sudão, uma parceria com o Grupo DAL ajudou a estabilizar cadeias de valor agrícolas mesmo em contexto de conflito, enquanto na região do Sahel o Banco tem trabalhado com o Comité Internacional da Cruz Vermelha para combinar financiamento ao desenvolvimento com experiência humanitária no terreno.

De acordo com Akin-Olugbade, estas intervenções procuram relançar a actividade económica, restaurar serviços essenciais e reduzir o risco de agravamento das crises.

No encerramento do painel, os participantes concordaram que o sector privado deve ser visto não apenas como financiador, mas como um parceiro estratégico na ação humanitária, graças à sua capacidade de inovação, investimento e gestão. Contudo, defenderam que essa colaboração deve ser estruturada, responsável e alinhada com as realidades locais. Redacção

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