Geração perdida: Droga transforma jovens em sombras em Nampula

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O consumo de drogas, com destaque para a metanfetamina — conhecida localmente por “Makha” — continua a alastrar na cidade de Nampula, levantando sérias preocupações entre organizações da sociedade civil, sobretudo associações femininas que alertam para a perda acelerada de uma geração inteira de jovens.

Dados recentes na posse do NGANI indicam que, em média, mais de 30 jovens continuam a ser neutralizados semanalmente pelas autoridades, suspeitos de envolvimento no consumo e comercialização de estupefacientes, principalmente cannabis sativa e metanfetamina.

Os bairros de Natikiri, Namicopo e Muhala mantêm-se entre os principais focos deste fenómeno, que já ultrapassa o espaço comunitário e invade escolas e ambientes familiares.

O alerta foi reforçado por Fátima Jerónimo, do Movimento Mulher e Paz, que descreve um cenário preocupante e cada vez mais visível no quotidiano.

“Há crianças que entram na escola normais e, num intervalo, voltam completamente diferentes. A forma de falar, o comportamento… é assustador. Estamos a perder muitos jovens para as drogas”, afirmou.

Segundo a activista, o consumo de drogas está a empurrar adolescentes para o abandono escolar e a comprometer o seu desenvolvimento mental e social. “Estamos a hipotecar o futuro. Como é que esses jovens vão trabalhar, empreender ou ajudar as suas famílias se a mente está dominada pelas drogas?”, questionou.

As associações alertam que o fenómeno deixou de ser apenas um problema de segurança pública para se tornar uma crise social profunda.

O consumo precoce de drogas está a afectar o desenvolvimento psicomotor dos jovens, reduzindo drasticamente as suas chances de emprego e autoemprego. “Hoje fala-se muito de oportunidades, de negócios, de empreendedorismo. Mas como é que um jovem dependente de drogas vai aproveitar isso?”, lamentou Jerónimo.

Perante o agravamento da situação, organizações femininas têm reforçado o seu papel nas comunidades, promovendo debates e iniciativas de sensibilização.

Durante uma mesa redonda promovida pela BNBC Incubadora, várias mulheres discutiram não apenas o consumo de drogas, mas também questões como violência doméstica, dependência económica e desigualdade de género.

A representante da organização, Daniela Caetano, explicou que as acções visam fortalecer o papel da mulher na sociedade e criar soluções sustentáveis.

“Estamos a criar espaços de diálogo e capacitação, abordando temas como saúde mental, empreendedorismo e desafios sociais que afectam as mulheres e as famílias”, disse.

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Dependência económica alimenta outros problemas sociais

Fátima Jerónimo destacou ainda que a vulnerabilidade económica das mulheres contribui para fenómenos como uniões prematuras e gravidezes precoces. “Quando não há estabilidade financeira, muitas famílias acabam por tomar decisões desesperadas, como casar as filhas cedo”, explicou.

Apesar dos avanços na participação feminina, a activista aponta que muitas mulheres ainda enfrentam medo de represálias, sobretudo no espaço político.

Com o consumo de drogas a crescer e a atingir cada vez mais jovens, associações defendem uma intervenção urgente e coordenada, envolvendo famílias, escolas, autoridades e organizações sociais. Porque, em Nampula, o problema já não é apenas a droga — é o futuro que está a desaparecer, silenciosamente, diante de todos. Agostinho Miguel

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