O Hospital Central de Nampula (HCN) manifestou preocupação com o crescente número de acompanhantes de pacientes internados, uma situação que, segundo a direcção da unidade sanitária, está a comprometer o normal funcionamento do maior hospital da região norte do país.
O porta-voz do HCN, António Carlos, afirmou que a superlotação nas enfermarias e corredores tem dificultado o trabalho dos profissionais de saúde, sobretudo durante a prestação de cuidados médicos e as rondas clínicas.
Segundo explicou, os corredores encontram-se frequentemente congestionados, limitando a circulação das equipas médicas e de enfermagem e prejudicando o atendimento aos pacientes.
A situação é agravada pelo facto de muitos doentes estarem acompanhados por mais de uma pessoa, incluindo os chamados “acompanhantes dos acompanhantes”, fenómeno que contribui para a sobrelotação do recinto hospitalar.
O HCN recorda que a permanência de acompanhantes só é permitida em casos específicos, como crianças, idosos, pacientes inconscientes ou pessoas incapazes de cuidar de si próprias.
A unidade sanitária reforça que deve ser respeitado o limite de um acompanhante por paciente, bem como os horários de visita, fixados entre as 6h00 e as 12h30 e a partir das 16h00.
Segundo António Carlos, o incumprimento destas normas tem provocado diversos constrangimentos, desde dificuldades na limpeza e utilização das casas de banho até problemas relacionados com a alimentação e a organização dos serviços.
Outro efeito apontado é o aumento de furtos dentro do hospital, afectando pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde.
Há registo do desaparecimento de diversos bens, desde objectos pessoais a telemóveis e motorizadas, contribuindo para um ambiente de maior insegurança.
O hospital denuncia ainda que alguns acompanhantes chegam a pernoitar nos corredores, ocupando espaços destinados exclusivamente ao funcionamento dos serviços de saúde.

Perante este cenário, o HCN apelou ao envolvimento da sociedade na sensibilização da população, mobilizando líderes comunitários, igrejas, mesquitas, escolas e outras instituições.
A direcção da unidade considera que o problema tem uma forte componente cultural, pelo que a sua resolução exige um trabalho contínuo de educação cívica e mudança de comportamentos.
Como medida imediata, os profissionais de saúde foram orientados a solicitar a saída dos acompanhantes logo após o término do horário de visitas, contando, quando necessário, com o apoio da segurança hospitalar.
Em situações de resistência, o hospital admite recorrer à intervenção da Polícia para garantir o cumprimento das normas.
O HCN esclarece que as medidas não pretendem impedir o apoio familiar aos pacientes, mas assegurar condições adequadas para que os profissionais de saúde possam prestar cuidados com qualidade, segurança e dignidade.
Agostinho Miguel



















