Médicos estagiários da UniLúrio denunciam oito meses sem subsídio

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Vinte e sete estudantes finalistas do curso de Medicina da Universidade Lúrio (UniLúrio), em estágio no Hospital Central de Nampula (HCN), denunciam estar há oito meses sem receber o subsídio a que dizem ter direito e acusam as entidades competentes de falta de respostas para o problema.

Segundo os estudantes, o processo de contratação para o estágio teve início em Outubro do ano passado, tendo os contratos sido visados pelo Tribunal Administrativo e os termos de início de actividades assinados em Dezembro. O mesmo procedimento, afirmam, decorreu em simultâneo com estudantes da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) e da Universidade Zambeze (UniZambeze).

No entanto, enquanto os estagiários da UEM e da UniZambeze já receberam os subsídios referentes a pelo menos seis meses, os da UniLúrio dizem não ter recebido qualquer pagamento até ao fecho desta edição.

Perante a situação, os estudantes concentraram-se em frente à Direcção Provincial de Saúde de Nampula para exigir uma solução, esclarecendo que o protesto não visa interromper as actividades de estágio no Hospital Central de Nampula, mas pressionar as autoridades a regularizarem os pagamentos.

“Disseram-nos apenas para termos paciência, mas a paciência tem limites. Não queremos parar de trabalhar, apenas exigimos aquilo que é nosso por direito”, afirmou um dos manifestantes.

Outro estudante, Mane Mário, descreveu as dificuldades enfrentadas durante o estágio. Segundo ele, os futuros médicos cumprem turnos de até 24 horas, muitas vezes sem alimentação adequada e com escassez de material médico, como luvas, situação que, segundo diz, afecta o seu desempenho e bem-estar psicológico.

O estudante acrescentou que o curso, previsto para durar seis anos, já vai no oitavo devido à interrupção dos estágios durante quase dois anos, após o Hospital Central de Nampula suspender a colaboração com a UniLúrio, alegadamente por falta de pagamento aos docentes responsáveis pela supervisão.

Os manifestantes afirmam ainda que os familiares enfrentam dificuldades para suportar os custos adicionais decorrentes do prolongamento da formação.

Os estudantes denunciam igualmente terem sido desencorajados a recorrer à greve ou aos órgãos de comunicação social. Segundo Mane Mário, durante um encontro com responsáveis da faculdade, foram advertidos de que um protesto poderia comprometer a continuidade do estágio e até do curso.

“Eles disseram que, se fizéssemos greve ou chamássemos a comunicação social, o nosso curso poderia ser prejudicado. Sentimo-nos intimidados, mas decidimos tornar público o problema porque já esgotámos todas as outras vias”, afirmou.

Os futuros médicos garantem possuir contratos assinados que comprovam o vínculo de estágio.

Direcção Provincial remete responsabilidade à UniLúrio

A directora provincial de Saúde de Nampula, Munira Abdoul, rejeitou qualquer responsabilidade pelos atrasos no pagamento dos subsídios, afirmando que o assunto compete à Universidade Lúrio.

Segundo a dirigente, parte dos estudantes não possui contratos formalizados junto dos Serviços Provinciais de Saúde, sobretudo os admitidos este ano, razão pela qual considera que a universidade deve prestar os devidos esclarecimentos.

Munira Abdoul assegurou, entretanto, que o Governo continuará a garantir materiais médico-cirúrgicos tanto para os profissionais efectivos como para os estagiários.

Contactada pelo nosso jornal para reagir às acusações e esclarecer a situação dos subsídios, a Universidade Lúrio não se pronunciou até ao fecho desta edição. Celestino Manuel

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