O Conselho Municipal da Cidade de Lichinga (CMCL) investiu cerca de 19 milhões de meticais na construção de quatro novos sistemas de abastecimento de água potável, uma iniciativa que vai beneficiar aproximadamente 19 mil habitantes dos bairros Guerra, Niassa I, Medeiros e Josina Machel.
As infra-estruturas foram inauguradas na última quarta-feira pelo presidente do Conselho Autárquico de Lichinga, Luís Jumo, que destacou o projecto como mais um passo para melhorar o acesso à água e reduzir a escassez que afecta vários bairros da cidade.
Segundo o edil, os sistemas resultam de uma parceria entre o município e o Programa de Fortalecimento da Capacidade dos Governos Locais para a Prestação de Serviços Básicos Resilientes e Construção de Infra-estruturas Adaptadas às Mudanças Climáticas (LoCAL).
Com a entrada em funcionamento dos novos sistemas, a cobertura de abastecimento de água na cidade aumenta de 45,27% para 48,28%, representando um crescimento de 3,28 pontos percentuais.
“É um avanço importante, mas ainda não estamos satisfeitos. Existem comunidades que continuam sem acesso à água potável e vamos continuar a mobilizar recursos para expandir a rede”, afirmou Luís Jumo.

O presidente do município revelou que a ambição da edilidade passa por captar água directamente do Lago Niassa, a partir de Meponda, a cerca de 60 quilómetros da cidade, projecto que considera a solução definitiva para o problema do abastecimento.
“Esse é o nosso grande sonho. Enquanto não se concretiza, continuaremos a abrir furos e a construir novos sistemas de abastecimento”, acrescentou.
Luís Jumo recordou que o bairro Guerra figurava entre as zonas mais afectadas pela escassez de água, situação que foi amplamente denunciada pelos moradores durante a campanha para as eleições autárquicas de 2023.
O edil apelou ainda aos beneficiários para preservarem as infra-estruturas e colaborarem com o operador responsável pela gestão do sistema, explicando que os moradores com capacidade financeira poderão solicitar ligações domiciliárias, enquanto os restantes continuarão a beneficiar das fontanárias públicas.
O administrador do distrito de Lichinga, David Machimbuko, considerou que os novos sistemas representam um importante reforço no abastecimento de água e apelou aos cidadãos para evitarem actos de vandalismo. “Se destruirmos estas infra-estruturas, estaremos a prejudicar-nos a nós próprios. Devemos protegê-las para garantir que continuem a servir a comunidade”, afirmou.
Em representação da chefe do Posto Administrativo de Sanjala, Alex Alberto destacou que a inauguração responde a uma das principais preocupações da população e manifestou confiança de que o problema da escassez de água será progressivamente ultrapassado.
A satisfação era igualmente visível entre os moradores. Helena Aly recordou as dificuldades enfrentadas pelas famílias para obter água. “Saíamos de casa às quatro da manhã e, muitas vezes, só regressávamos por volta das 14 horas. Havia longas filas e até conflitos nos poços. Hoje estamos muito felizes por finalmente termos água mais perto de casa”, afirmou.
Os líderes comunitários do bairro Guerra agradeceram ao município pela concretização da obra, considerando que o novo sistema melhora significativamente as condições de vida da população, que durante anos dependeu de poços tradicionais e de fontes manuais para o abastecimento de água. Redacção
