Cerca de 1.500 pacientes deverão recuperar a visão este ano na província de Nampula, através de cirurgias de catarata previstas em três campanhas médicas, duas das quais agendadas para os próximos meses.
A informação foi avançada esta terça-feira (17) pela directora do Departamento de Oftalmologia do Hospital Central de Nampula, Sofia Omar, durante uma conferência de imprensa.
A primeira campanha já está em curso e prevê operar 120 pacientes até sexta-feira. No arranque, 29 pessoas foram submetidas à cirurgia, enquanto outras seguem em processo.
“Estamos num bom caminho para atingir a meta, apesar de alguns desafios, como a chuva que tem dificultado o acesso de alguns pacientes”, explicou a responsável.
Os beneficiários são maioritariamente provenientes dos distritos de Murrupula e Nampula, tendo sido mobilizados com o apoio de parceiros.
Cegueira que tem solução
A maioria dos casos está associada à catarata senil, doença ligada ao envelhecimento que provoca a perda gradual da visão.
“O cristalino vai ficando opaco e impede a passagem da luz, causando cegueira. Mas é uma condição que tem solução”, explicou Sofia Omar.
Segundo a médica, a cirurgia consiste na substituição do cristalino por uma lente artificial, permitindo que o paciente volte a ver normalmente, desde que não existam outras complicações.
O procedimento dura, em média, 15 minutos e apresenta resultados rápidos. Para além do impacto na saúde, a catarata tem consequências sociais profundas, afectando não só os pacientes, mas também as suas famílias.
“Uma pessoa que não vê torna-se dependente. Há casos de crianças que deixam de estudar para cuidar de familiares. Quando devolvemos a visão, devolvemos também autonomia e dignidade”, sublinhou.
Com as campanhas em curso, as autoridades de saúde esperam reduzir significativamente os casos de cegueira evitável na província, dando a milhares de pessoas uma nova oportunidade de voltar a ver — e a viver com independência. Agostinho Miguel

