Trabalhadores acusam Fundação Ariel Glaser de despedimentos sem compensação

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Dezenas de trabalhadores suspensos pela Fundação Ariel Glaser saíram à rua esta sexta-feira, na cidade de Pemba, província de Cabo Delgado, para exigir o pagamento de salários em atraso e o cumprimento de direitos laborais que alegam ter sido ignorados no processo de rescisão contratual.

A manifestação teve lugar em frente às instalações da organização e ocorre semanas depois de da suspensão de mais de 600 colaboradores, numa medida associada à redução do financiamento internacional e já conhecida pelas autoridades governamentais.

Segundo relatos recolhidos no local, os trabalhadores afirmam estar há pelo menos um mês sem receber salários e denunciam falta de transparência no processo de desvinculação.

“Queremos respostas claras. Fomos surpreendidos com a rescisão dos contratos enquanto ainda estávamos em regime de suspensão, sem qualquer explicação plausível”, declarou Jacinto Francisco, supervisor de ATS, citado pela Mapiko Rádio+TV.

Os manifestantes apontam ainda incoerências por parte do departamento de Recursos Humanos. De acordo com os trabalhadores, inicialmente foi garantido o pagamento de um mês de salário, mas a posição terá sido posteriormente revertida. “Disseram que teríamos direito a um salário, mas depois informaram que não receberíamos nada”, relatou o mesmo interlocutor

Segundo a Mapiko Rádio+TV, outro ponto de contestação prende-se com alegadas irregularidades administrativas. Alguns trabalhadores afirmam que o processo de rescisão não foi devidamente formalizado por todos os envolvidos, levantando suspeitas sobre a sua legalidade. “Há documentos que não foram assinados por todos. Como é que o processo vai avançar nessas condições?”, questionaram os manifestantes.

Entre as principais exigências estão o pagamento imediato de salários em atraso, indemnizações, férias não gozadas e compensações por ausência de aviso prévio.

Para muitos, a situação é ainda mais difícil devido ao longo tempo de serviço prestado à organização. Noémia José, conselheira, afirma que vários trabalhadores dedicaram anos à instituição sem que isso tenha sido considerado no momento da rescisão. “Há pessoas aqui com seis anos de trabalho. Não é aceitável sair sem qualquer direito”, lamentou.

Os trabalhadores denunciam também que a suspensão foi feita de forma abrupta, sem comunicação prévia adequada. “Fomos chamados e, no mesmo dia, informados da suspensão. Depois, voltaram a chamar-nos apenas para assinar a rescisão, sem qualquer benefício”, explicou a fonte à Mapiko Rádio+TV.

Outra questão levantada prende-se com o não pagamento dos meses de abril e maio, apesar de, segundo os trabalhadores, os contratos ainda indicarem vigência até esse período.

Até ao momento, a Fundação Ariel Glaser não se pronunciou publicamente sobre as reclamações. O Governo Provincial de Cabo Delgado já tinha conhecimento da suspensão em massa e continua a acompanhar o caso, avaliando possíveis impactos sociais decorrentes da situação. Redaccção

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