O partido ANAMOLA saiu às ruas da cidade de Nampula no passado dia 30 de Abril, numa marcha pacífica que marcou o arranque do seu ano político e serviu de plataforma de mobilização para a sua Convenção Nacional.
A iniciativa teve como objectivo reforçar a presença política da formação na província, divulgar as suas linhas estratégicas e intensificar o contacto com a população, numa altura em que o partido procura consolidar a sua base de apoio. A convenção está agendada para os dias 20, 21 e 22 de Junho de 2026, na cidade de Nampula.
Os membros e simpatizantes concentraram-se em vários pontos da urbe, percorrendo diferentes ruas e avenidas até ao bairro de Namicopo, onde realizaram um comício popular marcado por discursos de forte teor crítico.
Na ocasião, o coordenador provincial do partido, Castro Eleutério Niquina, dirigiu duras críticas à governação da FRELIMO, acusando o partido no poder de conduzir o país ao fracasso e de se afastar das reais necessidades da população.
Segundo Niquina, a actual liderança demonstra incapacidade para responder aos desafios básicos dos cidadãos, privilegiando interesses próprios em detrimento do bem-estar colectivo.
Saúde e educação sob crítica
O dirigente apontou o sector da saúde como um dos exemplos mais evidentes do que considera ser o colapso dos serviços públicos. “Quando os dirigentes adoecem, não recorrem aos hospitais nacionais porque sabem que não oferecem condições. Preferem tratamento no estrangeiro, deixando o povo entregue à sua sorte”, afirmou.
Para o político, esta prática revela uma contradição entre o discurso oficial e a realidade vivida pela maioria dos moçambicanos, acusando a elite governativa de investir fora do país enquanto a população enfrenta dificuldades.
No sector da educação, Niquina denunciou o que considera ser um desinvestimento crónico ao longo das últimas décadas, apontando a persistência de alunos a estudar em condições precárias, muitas vezes sem infra-estruturas adequadas.
“Enquanto os filhos dos dirigentes estudam em boas condições, muitos alunos aprendem ao relento. Isto demonstra falta de compromisso com o futuro do país”, declarou.
O político criticou igualmente o estado da Estrada Nacional Número Um, principal eixo rodoviário que liga o norte ao sul do país, considerando que a sua degradação simboliza a falta de compromisso do Governo com o desenvolvimento.
“A EN1 está em condições deploráveis. É a espinha dorsal do país e continua negligenciada”, afirmou, acrescentando que muitos dirigentes evitam percorrer a estrada, optando pelo transporte aéreo.
Niquina acusou ainda o partido no poder de promover um modelo de governação centrado em interesses particulares, com alegadas práticas de desvio de recursos públicos, apontando a falta de medicamentos nos hospitais como reflexo dessa realidade.
Durante o comício, o dirigente apelou à mobilização e à vigilância dos cidadãos, defendendo um papel mais activo da população na exigência de boa governação. “É tempo de o povo abrir os olhos. Este país pertence a todos, não a um grupo restrito”, afirmou.
A marcha insere-se na estratégia do ANAMOLA de reforçar a sua implantação política e preparar a sua Convenção Nacional, num contexto de crescente disputa pelo espaço político no país.
Agostinho Miguel

