Alimentação escolar melhora nutrição infantil em Nampula, revela estudo da UniLúrio

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Um estudo desenvolvido pela Universidade Lúrio (UniLúrio) concluiu que o programa de alimentação escolar está a contribuir significativamente para a melhoria do estado nutricional de crianças em idade escolar na província de Nampula, sobretudo no reforço da ingestão de nutrientes essenciais.

A pesquisa foi apresentada durante um seminário do projecto Food Lead e decorreu entre 2024 e 2026 em dois distritos da província de Nampula, nomeadamente no posto administrativo de Iapala, distrito de Ribáuè, e em Naguema, no distrito de Mossuril.

O objectivo do estudo era avaliar o estado nutricional das crianças beneficiárias, a composição dos alimentos consumidos e a exposição a micotoxinas — substâncias tóxicas produzidas por fungos que podem contaminar alimentos.

O coordenador da investigação, Almeida Machamba, explicou que os resultados preliminares demonstram que a alimentação escolar desempenha um papel importante na saúde e no desenvolvimento das crianças.

“A alimentação escolar contribui em cerca de 25 por cento da ingestão de nutrientes, sobretudo ferro, vitamina A, zinco e também da ingestão energética”, afirmou.

Segundo os dados apresentados, as crianças que consomem regularmente as refeições fornecidas pelas escolas apresentam melhores níveis de ingestão energética e maior consumo de nutrientes essenciais, quando comparadas com aquelas que não aderem ao programa.

“As crianças que consomem mais vezes a refeição escolar apresentam níveis mais elevados de energia e nutrientes essenciais”, destacou o investigador.

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Apesar dos resultados considerados positivos, o estudo identificou desafios relacionados com a adesão ao programa. De acordo com os investigadores, uma parte significativa das crianças não consome as refeições disponibilizadas nas escolas, mesmo quando há alimentos disponíveis.

“Registámos cerca de 21 por cento de crianças que não consomem refeições na escola, não por falta de alimentos, mas por opção própria”, explicou Machamba, que também é docente da UniLúrio.

No caso específico de Iapala, no distrito de Ribáuè, cerca de 78,9 por cento das crianças confirmaram ter consumido alimentação escolar nos dias do inquérito, enquanto outras optaram por não participar no programa.

Os investigadores consideram que esta situação pode comprometer os ganhos nutricionais alcançados pela iniciativa, sobretudo numa província onde persistem desafios ligados à desnutrição infantil.

Embora o estudo não tenha identificado anomalias graves relacionadas com a segurança alimentar, os investigadores alertam para a necessidade de melhorar as práticas de conservação e preparação dos alimentos, de forma a reduzir os riscos de contaminação por micotoxinas.

“Precisamos melhorar as práticas de conservação e preparação dos alimentos para evitar possíveis contaminações”, alertou.

A investigação identificou igualmente diferenças nos hábitos alimentares entre as zonas costeiras e do interior da província de Nampula, factor que, segundo os especialistas, pode influenciar os níveis de nutrição das populações.

No âmbito do projecto, os investigadores desenvolveram ainda uma ferramenta denominada SAT, criada para avaliar a composição nutricional dos alimentos e identificar possíveis riscos relacionados com a alimentação.

“Criámos uma ferramenta adaptada à realidade das comunidades que permite diagnosticar melhor a situação e propor soluções adequadas”, explicou o docente.

Os resultados finais do estudo deverão ser divulgados ainda este ano.

Para os investigadores, os dados preliminares reforçam a importância de expandir e consolidar os programas de alimentação escolar no país.

“Estes resultados mostram que devemos promover e ampliar a alimentação escolar, porque o impacto na nutrição das crianças é evidente”, concluiu Almeida Machamba.

Agostinho Miguel

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