Terror em Cabo Delgado força freira moçambicana a pedir socorro ao mundo

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A superiora das Irmãs da Imaculada Conceição, primeira congregação religiosa fundada em Moçambique, denunciou a escalada da violência terrorista em Cabo Delgado e alertou para o clima de medo e insegurança vivido pelas comunidades cristãs e pela população em geral no norte do país.

Em declarações à Fundação AIS, organização católica internacional de apoio à Igreja, a irmã Ermelinda Singua descreveu os ataques armados como uma “perseguição aos cristãos”, mas também como uma ameaça generalizada contra todos os moçambicanos afectados pelo terrorismo.

“Com essas destruições, matanças, tudo isso, ninguém está em paz. As pessoas não conseguem viver as suas vidas como deveriam”, afirmou a religiosa durante uma visita a Portugal, onde participou em encontros promovidos pela Fundação AIS.

A freira referia-se, em particular, ao ataque ocorrido a 30 de Abril contra a missão católica de São Luís de Montfort, em Cabo Delgado, reivindicado por homens armados associados ao autoproclamado Estado Islâmico.

Durante a incursão, os atacantes destruíram a igreja da missão, construída em 1946, incendiaram a escola primária e o posto de saúde local, além de raptarem populares, segundo informações anteriormente avançadas pela Diocese de Pemba. “Fiquei muito triste, é uma situação lamentável”, declarou a religiosa, recordando que se encontrava em Roma quando recebeu a notícia do ataque.

A irmã Ermelinda aproveitou a passagem por Lisboa para agradecer o apoio prestado pelo povo português e pelas organizações de solidariedade à Igreja moçambicana, especialmente às vítimas da violência armada em Cabo Delgado.

Segundo a superiora, a ajuda internacional tem sido fundamental para apoiar deslocados, comunidades afectadas e instituições religiosas que continuam a operar em zonas marcadas pela instabilidade. “Pedimos ao povo português que reze por nós e continue a ajudar, porque esta situação já dura há anos desde que o terrorismo se instalou no nosso país”, apelou.

A responsável destacou ainda o papel desempenhado pela Fundação AIS no apoio às comunidades afectadas pelo conflito não apenas em Moçambique, mas também em vários países africanos e regiões marcadas por guerras e perseguições religiosas.

No final da mensagem, a religiosa manifestou esperança de que a paz possa regressar a Cabo Delgado e às restantes zonas afectadas pela violência armada.

“Todos nós desejamos que a paz se restabeleça o mais rapidamente possível”, concluiu. Redacção

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