O Governo da província do Niassa ordenou a suspensão imediata das actividades de exploração de recursos faunísticos de várias entidades privadas e da própria Direcção de Administração da Reserva Especial do Niassa, acusando-as de negligenciar as comunidades afectadas pelo conflito entre homens e animais bravios.
A decisão foi anunciada esta segunda-feira, 8 de Junho, pelo Secretário de Estado no Niassa, Silva Livone, durante uma reunião com operadores faunísticos que desenvolvem actividades na província, com destaque para a Reserva Especial do Niassa.
A medida abrange a Sociedade Búfalo Safaris, que opera no distrito de Majune, a Sociedade Nhalikanga, em Marrupa, a Wildlife Conservation Society (WCS), em Mecula, bem como toda a Direcção de Administração da Reserva Especial do Niassa.
Segundo Silva Livone, a suspensão resulta do incumprimento dos compromissos assumidos pelas entidades visadas no âmbito das acções de mitigação do conflito homem-fauna bravia, fenómeno que continua a causar mortes, ferimentos e destruição de campos agrícolas nas comunidades localizadas nas zonas de conservação.
“O Governo não pode continuar a assistir passivamente ao sofrimento das populações enquanto alguns operadores privilegiam a protecção da fauna em detrimento da segurança e da vida humana”, advertiu o governante.
O Secretário de Estado acrescentou que, caso persista a alegada falta de colaboração das empresas com as comunidades e as autoridades, o Executivo poderá adoptar medidas mais severas contra os operadores envolvidos.
Nas últimas semanas, têm sido reportados vários casos de ataques de animais bravios em diferentes distritos da província, situação que tem aumentado a tensão entre as populações e as entidades responsáveis pela gestão das áreas de conservação.
A Reserva Especial do Niassa é uma das maiores áreas protegidas de África e alberga uma importante diversidade de espécies selvagens, sendo considerada estratégica para a conservação da biodiversidade e para o desenvolvimento do turismo na região. Redacção

