Meses depois das cheias que devastaram extensas áreas do sul de Moçambique, 210 famílias do povoado de Nhangal, no distrito de Chókwè, iniciaram uma nova etapa de recuperação graças a uma iniciativa conjunta da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade, da Yango Moçambique e do Governo Distrital de Chókwè. O objectivo é permitir que os agregados familiares recuperem os seus meios de subsistência através da agricultura, reduzindo a dependência da assistência humanitária.
A intervenção consiste na distribuição de kits de sementes agrícolas destinados a restaurar a produção alimentar das famílias que perderam as suas culturas durante as inundações. Num distrito onde a agricultura constitui a principal fonte de rendimento e alimentação, a retoma da produção é considerada essencial para acelerar a recuperação económica e reforçar a segurança alimentar.
Cada kit disponibilizado tem potencial para apoiar o cultivo de até 1,5 hectares em condições ideais. Contudo, tendo em conta a realidade da agricultura familiar em Moçambique, estima-se que cada agregado cultive entre 0,30 e 0,50 hectares por campanha agrícola, podendo alcançar uma produção entre 10 e 12 toneladas métricas de hortícolas diversificadas.
Além de garantir alimentos para o consumo das famílias, espera-se que o excedente da produção seja comercializado, criando novas fontes de rendimento e contribuindo para a reconstrução da economia doméstica das comunidades afectadas.
Durante a cerimónia de entrega, o Chefe do Posto Administrativo de Chilembene, Noé Vasco Sitoe, recordou que Nhangal foi uma das localidades mais afectadas pelas cheias, que destruíram culturas agrícolas e agravaram a vulnerabilidade das famílias. O dirigente apelou aos beneficiários para que utilizem as sementes de forma responsável e transformem o apoio recebido em oportunidades de crescimento e desenvolvimento comunitário.

De acordo com as Nações Unidas, Moçambique permanece entre os países africanos mais expostos aos impactos das alterações climáticas, enfrentando regularmente cheias e ciclones que comprometem infra-estruturas, sistemas alimentares e meios de subsistência. Neste contexto, iniciativas que promovem a recuperação produtiva são consideradas fundamentais para aumentar a resiliência das comunidades rurais.
O Country Manager da Yango Moçambique, Mahomed Zameer Adam, defendeu que a verdadeira recuperação acontece quando as famílias voltam a gerar o seu próprio sustento. Segundo afirmou, a assistência de emergência é indispensável após uma catástrofe, mas a reconstrução sustentável exige investimentos que devolvam autonomia, dignidade e perspectivas de futuro às populações afectadas.
Por sua vez, a Directora de Desenvolvimento Comunitário da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade, Fauna Ibramogy, destacou que a parceria demonstra o impacto positivo da colaboração entre o sector privado, a sociedade civil e as autoridades públicas. Para a responsável, unir esforços permite não apenas responder às necessidades imediatas das comunidades, mas também fortalecer a sua capacidade para enfrentar futuros eventos climáticos.
Mais do que uma acção de assistência, a iniciativa representa um investimento na recuperação económica das famílias e na construção de comunidades mais resilientes, transformando sementes em oportunidades de produção, rendimento e esperança para centenas de pessoas afectadas pelas cheias. Redacção
