Nuvunga relaciona morte de Dom Osório com combate ao tráfico de droga

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As manifestações de repúdio e consternação pelo assassinato do bispo de Quelimane, Dom Osório Citora Afonso, continuam a multiplicar-se dentro e fora do país. Às mensagens do Presidente da República, Daniel Chapo, do Papa Leão XIV, da Conferência Episcopal de Moçambique e de várias figuras públicas, juntou-se, esta segunda-feira, a voz do director do Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD), Adriano Nuvunga.

Falando em conferência de imprensa convocada para abordar a campanha de solidariedade popular que angariou um milhão e sessenta e sete mil meticais para pagar Albino Forquilha, no ambito da indemnização decretada pelo Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, Nuvunga aproveitou para condenar veementemente o assassinato do prelado, classificando-o como um acto “hediondo” e “macabro”.

“Quando se assassinam bispos nas suas residências paroquiais, estamos perante um nível de violência que dá indícios de uma violência para assumir o controlo do próprio Estado”, afirmou.

O director do CDD considerou ainda que a morte de Dom Osório representa uma brutalização da sociedade moçambicana e questionou a incapacidade das autoridades em garantir segurança a figuras de relevo nacional. “Não compreendo como é que uma cidade como Quelimane não consegue organizar-se para que figuras importantes como a do bispo tenham condições de segurança para não correr este tipo de risco”, declarou.

Nuvunga exigiu uma investigação “séria, profunda e muito urgente” e sugeriu que o trabalho desenvolvido por Dom Osório poderá constituir uma das linhas a serem seguidas pelas autoridades.

“É preciso uma investigação séria, profunda e muito urgente. Muito urgente, porque o que nós sabemos é que o bispo estava a empreender um trabalho profundo, incluindo de condenação a certos grupos, incluindo grupos de tráfico de drogas que andavam por ali. Então, é preciso que o Governo pegue este assunto com toda a seriedade”, afirmou.

O activista pan-africano acrescentou que é fundamental identificar não apenas os autores materiais, mas também os eventuais mandantes do crime. “Urgência para nos dizer quem são os autores materiais e morais deste acto macabro”, defendeu.

As autoridades moçambicanas indicaram que Dom Osório Citora Afonso foi assassinado na madrugada de sábado, 6 de Junho, na residência episcopal de Quelimane, por indivíduos ainda desconhecidos.

Segundo o porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) na Zambézia, Maximino Amílcar, os atacantes escalaram o muro da residência, neutralizaram o sistema de segurança eléctrica e dispararam contra o bispo com uma arma do tipo AK-M, atingindo-o mortalmente na região do peito. Até ao momento, não há detidos e as autoridades asseguram que as investigações prosseguem. Redacção

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