FENA: Quando a visão derrota a rotina

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NGANI visitou, no último fim de semana, a sétima edição da Feira Económica de Nampula (FENA) e regressou com a certeza difícil de ignorar de que Moçambique acaba de ganhar uma nova referência na organização de grandes eventos económicos.

Confessamos que fomos à feira movidos pela curiosidade e regressámos profundamente impressionados. Ao longo de vários anos temos participado de perto na Feira Internacional de Maputo (FACIM), considerada a maior montra económica do país, e nunca imaginámos que uma feira provincial pudesse atingir um nível de organização, funcionalidade, estética, qualidade dos expositores e capacidade de mobilização que, em vários aspectos, não apenas rivaliza, mas chega mesmo a superar aquilo que hoje encontramos na FACIM.

Esta constatação não diminui o valor histórico da feira de Maputo, cuja importância para a economia nacional permanece inquestionável, mas obriga-nos a reconhecer que a excelência deixou de ter uma única morada e que o centro da inovação pode surgir onde existe liderança capaz de desafiar a rotina e recusar a mediocridade. A FENA não impressiona apenas pelos números, embora estes sejam suficientemente expressivos para justificar qualquer celebração.

Mais de vinte mil visitantes, trezentos e oitenta e seis expositores nacionais e internacionais, cento e nove milhões de meticais movimentados em negócios, mais de mil e quatrocentos empregos sazonais criados e dezenas de acordos de cooperação assinados constituem indicadores que qualquer organização pública ou privada gostaria de apresentar. Contudo, reduzir o sucesso da FENA a estes indicadores seria cometer uma injustiça.

O verdadeiro impacto da feira está naquilo que os números não conseguem medir, que é a sensação de profissionalismo, a qualidade da experiência proporcionada aos visitantes, o cuidado visível em cada detalhe, a organização irrepreensível dos espaços, a integração harmoniosa entre instituições públicas e empresas privadas, a dinâmica permanente dos pavilhões, a programação cuidadosamente estruturada e a percepção de que tudo foi pensado para funcionar e para transmitir confiança.

Num país onde tantas iniciativas continuam a ser preparadas à última hora, onde frequentemente se improvisa aquilo que deveria ser cuidadosamente planeado e onde, demasiadas vezes, o “mais ou menos” acabou por ser aceite como padrão, encontrar uma iniciativa desta dimensão organizada com tamanho rigor constitui uma agradável surpresa e, ao mesmo tempo, uma poderosa lição de gestão pública. Naturalmente, nenhum evento desta envergadura acontece por geração espontânea. Grandes realizações exigem liderança, visão estratégica, capacidade de mobilização, disciplina institucional e um compromisso permanente com a qualidade.

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É neste ponto que se torna impossível ignorar o papel desempenhado pelo governador Eduardo Abdula. A Feira Económica de Nampula não nasceu com o actual governador e seria desonesto ignorar o trabalho desenvolvido pelos seus antecessores. Porém, também seria igualmente injusto não reconhecer que foi durante a sua liderança que a FENA conheceu um salto qualitativo que a transformou numa referência nacional. Não é por acaso que empresários, investidores, parceiros de desenvolvimento e visitantes passaram a olhar para esta feira com uma atenção crescente.

Há uma visão clara por detrás deste projecto e essa visão reflecte-se na capacidade de mobilizar instituições, envolver o sector privado, criar confiança, elevar os padrões de organização e transmitir a convicção de que Nampula pode disputar os maiores palcos económicos do país sem qualquer complexo de inferioridade. Os líderes distinguem-se pela capacidade de transformar possibilidades em realidade e de fazer com que aquilo que parecia impossível se torne perfeitamente natural. É essa impressão que a FENA deixa a quem a visita. O evento parece dizer, silenciosamente, que a excelência não depende da geografia, depende das escolhas.

Durante demasiado tempo alimentámos a ideia de que os melhores eventos, as melhores organizações e os maiores exemplos de gestão tinham obrigatoriamente de nascer na capital do país. A FENA desmonta esse preconceito e demonstra que uma província pode assumir a dianteira quando existe determinação para fazer diferente. Esta realidade deve igualmente servir de reflexão para a FACIM. A Feira Internacional de Maputo continuará a ocupar um lugar de enorme relevância na economia moçambicana, mas nenhuma instituição pode viver eternamente da reputação construída no passado.

O mundo muda, as expectativas dos visitantes evoluem, os expositores tornam-se mais exigentes e os próprios eventos precisam de reinventar-se continuamente. Em vários momentos, a FACIM transmite hoje a sensação de ter estabilizado num modelo que deixou de surpreender. Continua importante, continua grande, continua necessária, mas já não encanta como outrora. Falta arrojo, falta uma nova visão capaz de transformar a experiência dos participantes e de renovar o entusiasmo que durante décadas caracterizou aquele certame. Talvez tenha chegado o momento de a maior feira do país olhar, com humildade e inteligência, para aquilo que Nampula conseguiu construir.

Aprender nunca diminuiu ninguém. Pelo contrário, é essa capacidade de reconhecer os bons exemplos que distingue as instituições que evoluem daquelas que permanecem prisioneiras do passado. A FENA demonstra que é possível organizar eventos públicos de elevado nível em Moçambique quando existe liderança competente, compromisso com a qualidade e respeito pelos cidadãos e pelos investidores.

Na última semana, mais do que uma feira, Nampula apresentou ao país uma visão de futuro. Mostrou que o desenvolvimento não se proclama em discursos, constrói-se através de trabalho sério, planeamento rigoroso, execução disciplinada e ambição permanente. Num tempo em que tantas vezes nos resignamos perante a mediocridade e normalizamos a falta de exigência, a FENA recorda-nos que Moçambique continua perfeitamente capaz de produzir excelência. Por isso, este editorial do NGANI não é apenas um elogio a uma feira económica. É um reconhecimento a uma forma de governar que acredita que fazer bem continua a ser uma obrigação e não uma excepção. EditorialJornalNGANI29062026

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