O Hospital Central de Nampula (HCN) registou, na última semana, 103 casos de mordedura canina, um número que preocupa as autoridades sanitárias por estar muito acima da média habitual.
Em conferência de imprensa realizada esta terça-feira (14), o porta-voz da maior unidade hospitalar da região norte do país, António Carlos, explicou que os dados resultam do sistema de vigilância epidemiológica, responsável por monitorar eventos com impacto na saúde pública.
Segundo o responsável, os pacientes procuram o hospital para dar continuidade ao tratamento profilático após serem mordidos por cães. “O nosso sistema de vigilância epidemiológica registou 103 casos de mordedura canina ao longo desta semana”, afirmou.
O número representa um aumento significativo face à média semanal, que normalmente oscila entre 40 e 60 casos. “Quando, numa única semana, nos aproximamos do total mensal, é um sinal de alerta”, sublinhou.
Um dos aspectos que mais preocupa os profissionais de saúde é o facto de a maioria das vítimas ter sido mordida por cães domésticos. “Muitas pessoas são mordidas pelos seus próprios cães, sobretudo durante interacções dentro de casa”, explicou.
Os casos abrangem diferentes faixas etárias, incluindo crianças. Só no serviço de pediatria, o HCN assistiu 28 crianças com menos de 10 anos vítimas de mordedura canina.
Apesar do elevado número de ocorrências, não houve registo de internamentos relacionados com estes casos durante o período em análise. Ainda assim, as autoridades alertam para o risco de infecções e da transmissão da raiva, uma doença potencialmente fatal.
Em caso de mordedura, a recomendação é lavar imediatamente a ferida com água e sabão durante, pelo menos, 15 minutos, antes de procurar assistência médica.
O porta-voz apelou ainda à população para evitar o contacto com cães vadios, manter os animais domésticos vacinados e adoptar medidas de prevenção que reduzam o risco de novos casos.
Agostinho Miguel

