O Bispo da Diocese Católica de Lichinga, Dom Atanásio Amisse Canira, desafiou, no último domingo (19), os três novos diáconos ordenados a exercerem o ministério com espírito de serviço, humildade e integridade, advertindo-os para que rejeitem qualquer envolvimento em actos ilícitos que possam comprometer a missão da Igreja e a confiança dos fiéis.
A exortação foi feita durante a cerimónia de ordenação diaconal realizada na cidade de Lichinga, província do Niassa, na qual receberam o primeiro grau do sacramento da Ordem os seminaristas José Chizoma, Justino Miguel e Eliseu Damião, oriundos das paróquias Beato Nuno Condestável, em Marrupa; Santa Teresinha do Menino Jesus, em Mepanhira, distrito de Mecanhelas; e São Francisco Xavier, em Mandimba, respectivamente.
Na homilia, Dom Atanásio recordou que o diaconato não representa um estatuto de privilégio, mas um compromisso de entrega total ao serviço de Deus e do próximo, inspirado no exemplo de Jesus Cristo, que lavou os pés aos seus discípulos.
“O diaconato não é um espaço de regalias nem de promoção pessoal. É um ministério de serviço. Para exercê-lo, é preciso ter um coração de servo, colocando-se ao serviço de Deus e do seu povo”, afirmou.

Os diáconos antes da ordenação
O prelado advertiu igualmente os novos ministros para cultivarem uma conduta irrepreensível, rejeitando práticas que possam manchar o testemunho da Igreja.
“Os diáconos devem ser homens íntegros, fiéis à Palavra, não dominados pelo apego às riquezas, pelo excesso da bebida ou por qualquer comportamento incompatível com a missão que hoje assumem. São chamados, sobretudo, a servir os pobres, os doentes, os marginalizados e todos aqueles que mais necessitam da presença da Igreja”, sublinhou.
Dom Atanásio destacou ainda que, desde os primórdios do cristianismo, os diáconos ocupam um lugar central na vida da Igreja, através do serviço da caridade, da proclamação da Palavra e da assistência ao altar, três dimensões que, segundo afirmou, devem caminhar sempre de forma equilibrada.
“Somos chamados a construir uma Igreja servidora, misericordiosa, fraterna e acolhedora. O ministério diaconal exige dedicação plena ao altar, à Palavra de Deus e à caridade. Nenhuma destas dimensões pode ser negligenciada”, frisou.
O bispo apelou igualmente para que os novos diáconos sejam evangelizadores dentro e fora dos templos, testemunhando o Evangelho através das suas atitudes quotidianas.
“A vocação é um dom de Deus, sustentado pela sua graça. Ao receberem este ministério, assumem também os compromissos da obediência, do celibato e da pobreza evangélica. São exigências que traduzem a entrega total ao Reino de Deus”, acrescentou.
Em representação dos novos diáconos, Justino Miguel afirmou que a ordenação representa o culminar de um longo percurso de formação humana, filosófica, teológica e espiritual, marcado por desafios que fortaleceram a sua fé e o sentido de missão.

Ordenação diaconal
“Aprendemos, ao longo de toda a formação, que servir Cristo implica caminhar em comunhão com o bispo, os presbíteros e todo o povo de Deus, promovendo uma Igreja sinodal e missionária”, afirmou.
Apesar da alegria pela ordenação, os três diáconos reconheceram que a celebração não representa o fim do percurso, mas o início de uma missão ainda mais exigente, razão pela qual solicitaram o apoio espiritual dos fiéis.
Em nome das famílias, Alfredo Iassine manifestou satisfação pelo momento vivido e agradeceu à Diocese pela formação proporcionada aos novos ministros, reafirmando o compromisso das famílias em continuar a apoiá-los na missão pastoral que agora iniciam.
A ordenação diaconal constitui uma etapa decisiva na preparação para o sacerdócio e reforça o trabalho pastoral da Diocese de Lichinga, que passa a contar com três novos ministros ao serviço das comunidades católicas dos distritos de Marrupa, Mecanhelas e Mandimba. Pedro Fabião
