A Igreja Católica desmentiu informações sobre uma alegada violação sexual de religiosas e raparigas durante o assalto à missão da Congregação das Franciscanas do Sagrado Coração de Jesus, ocorrido no último fim-de-semana, no distrito de Mecubúri, província de Nampula.
O ataque, contudo, terá resultado na agressão física de duas religiosas e do guarda da missão, além do roubo de dinheiro, telemóveis, computadores e outros bens.
O Vigário-Geral da Arquidiocese de Nampula, padre Estêvão Júlio, confirmou a ocorrência do assalto, mas rejeitou a informação de que as religiosas tenham sido sexualmente violentadas.
Segundo o sacerdote, os invasores escalaram o muro da missão e, já dentro das instalações, desligaram o quadro geral de energia eléctrica antes de avançarem para os espaços onde se encontravam as religiosas e as raparigas acolhidas no lar.
“Eles passaram pelo muro e infiltraram-se no lar. Recolheram os celulares, os computadores e exigiam dinheiro. Como não encontraram o que queriam, começaram a agredir algumas das irmãs”, relatou Estêvão Júlio.
Entre as vítimas está a irmã Verónica, que foi agredida durante a invasão. Outra religiosa, responsável pelo lar, também foi atacada quando tentou perceber o que estava a acontecer. A Arquidiocese confirmou que duas irmãs sofreram agressões físicas.
O guarda da missão foi igualmente atacado, tendo sofrido ferimentos na cabeça e lesões nos dedos de uma das mãos.
Depois da fuga dos assaltantes, as raparigas acolhidas no lar procuraram refúgio e ajuda junto de residências vizinhas, enquanto a Polícia foi chamada ao local para intervir.
Igreja suspeita de conhecimento prévio das instalações
A Arquidiocese de Nampula manifesta preocupação com a forma como a invasão foi executada e admite a possibilidade de os assaltantes conhecerem as instalações da missão.

Entre os elementos considerados suspeitos está o facto de os invasores terem desligado o quadro geral de energia e procurado pessoas específicas dentro do recinto.
“Quem devia desligar o quadro geral são pessoas que conhecem a casa. Também estavam a procurar a superior da casa e andavam desmascarados, o que significa que não queriam ser reconhecidos”, explicou o Vigário-Geral.
Apesar da gravidade do caso, a Arquidiocese afirma ainda não dispor de informações concretas sobre a identificação dos suspeitos ou eventuais detenções.
Estêvão Júlio disse que, no momento em que visitou a missão, as autoridades ainda não tinham apresentado uma resposta definitiva sobre o andamento das investigações.
Dinheiro e equipamento entre os bens roubados
A Igreja confirmou o desaparecimento de dinheiro que se encontrava sob responsabilidade da irmã encarregada do lar, além de telemóveis e computadores. O valor exacto do dinheiro roubado não foi divulgado.
O lar acolhe actualmente 42 raparigas provenientes de diferentes zonas de Mecubúri e arredores, que permanecem na instituição para frequentar a escola.
Para além do apoio à educação, as religiosas desenvolvem actividades de assistência às comunidades, incluindo apoio nutricional, através da distribuição de papas às crianças e da capacitação de famílias sobre a preparação de alimentos nutritivos.
Para a Arquidiocese de Nampula, o assalto representa uma ameaça à segurança de uma missão que mantém uma presença permanente na comunidade e desenvolve actividades nos sectores da educação, nutrição e assistência social.
A Igreja espera que as autoridades concluam as investigações, esclareçam as circunstâncias do ataque e responsabilizem os autores. Agostinho Miguel
