O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) acusa o Governo de adoptar uma postura de confronto com os partidos políticos e defende uma política baseada no diálogo, inclusão e respeito pela diversidade de opiniões.
A posição foi apresentada na quinta-feira, 13 de Agosto, em Nampula, durante uma conferência de imprensa convocada pelo partido para contestar a proibição de uma marcha organizada pelos seus membros por ocasião do Dia Internacional da Juventude, assinalado a 12 de Agosto.
“Não houve violência física, mas houve violência institucional”
O delegado político provincial do MDM em Nampula, Lópes Aquimo Muatamuro, considerou que a proibição da marcha limita a participação política dos jovens e advertiu que medidas deste tipo podem tornar-se uma prática contra outras formações políticas. “Se não marcharam no seu dia, quando é que poderiam marchar? Qual é o dia que a juventude tem para dizer aquilo que é a vontade e o desejo como jovens?”, questionou.
Muatamuro esclareceu que os membros do partido não sofreram agressões físicas durante a intervenção policial, mas considerou que houve violência moral e institucional. “Não houve violência física. Houve, sim, violência moral e institucional”, afirmou.
O dirigente defendeu ainda o afastamento do comandante provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM), caso se confirme que a corporação recebeu orientações para impedir a marcha.
Segundo o político, cerca de 30 agentes e meios públicos estiveram envolvidos na operação, situação que, na sua opinião, deve ser esclarecida pelas autoridades. “Nós pagamos imposto para sermos protegidos”, afirmou, questionando a utilização de recursos do Estado para impedir uma manifestação política.

MDM alerta para frustração dos jovens
A situação económica e social da juventude esteve igualmente no centro das críticas do partido. Muatamuro, que é também deputado da Assembleia da República pelo círculo eleitoral de Nampula, apontou a falta de emprego e de oportunidades económicas como factores que aumentam a frustração dos jovens.
O dirigente relacionou ainda estas dificuldades com a exposição dos jovens ao consumo de drogas, particularmente a maca, defendendo que o Governo deve atacar as causas sociais do problema. “Um jovem que fica frustrado perante situações dessa natureza, quando chega no bairro, faz o quê? Está frustrado perante o seu Governo, o seu protector. Vai marginalizar, vai consumir maca”, afirmou.
Vendedores informais precisam de alternativas
O MDM criticou também a retirada de vendedores informais das proximidades do Mercado Novo, na cidade de Nampula.
Segundo Muatamuro, muitos dos vendedores não pertencem ao MDM e dependem do comércio informal para sustentar as suas famílias. Por isso, defende que o Conselho Municipal deve criar alternativas antes de retirar os comerciantes dos locais onde trabalham. “Ao serem retirados, têm indicação do local onde devem ir exercer essa actividade? O que pensa o município que estará a fazer? Empurrar esses jovens para onde?”, questionou.
O dirigente recordou que, durante a gestão municipal do MDM, vendedores também foram retirados de algumas zonas, mas, segundo explicou, a medida foi acompanhada pela indicação de novos espaços. “Nós tínhamos retirado as pessoas das ruas, mas antes organizámos o local. E aqui não houve nenhuma confusão e ninguém reclamou”, afirmou.
Partido acusa CNJ de excluir jovens
As críticas estenderam-se ao Conselho Nacional da Juventude (CNJ), acusado pelo MDM de não garantir a participação de diferentes organizações juvenis nas suas actividades.

Para o partido, uma instituição destinada a representar a juventude moçambicana deve incluir jovens independentemente da sua filiação política. “O CNJ foi criado para agrupar toda a juventude. Por acaso o CNJ é apenas a OJM?”, questionou Muatamuro.
O delegado provincial considera que a exclusão de organizações juvenis ligadas a outros partidos constitui discriminação e contraria os princípios de participação e inclusão. “Quando não convidam uma ala juvenil de um partido, qual é o nome que recebe? Discriminação. E com discriminação construímos o país? Não construímos o país”, afirmou.
MDM pede diálogo com Governo
Perante este cenário, o MDM defende a criação de canais permanentes de diálogo entre o Governo, partidos políticos e organizações juvenis.
Muatamuro considera que as autoridades devem deixar de encarar os partidos políticos como adversários permanentes e reconhecê-los como actores que também podem contribuir para identificar e resolver os problemas da sociedade. “O Governo tem que abrir as portas para dialogar com os partidos e com esses jovens”, defendeu.
Para o MDM, a construção de um ambiente político mais inclusivo exige instituições abertas à diversidade de opiniões e decisões que reduzam, em vez de aprofundarem, a divisão entre os cidadãos. Agostinho Miguel
