A Polícia da República de Moçambique (PRM) em Nampula deteve esta quinta-feira (26) dez indivíduos suspeitos de envolvimento na venda e consumo de drogas, na sequência de uma operação realizada no bairro Muatala, arredores da cidade. A intervenção ocorre dias depois de o Jornal NGANI ter denunciado, em reportagem exclusiva, o alastramento alarmante do tráfico e consumo de substâncias psicoativas na zona de Mutauanha, posto Administrativo de Muatala, um fenómeno descrito por moradores como “um verdadeiro Afeganistão dentro de Nampula”.
Segundo Rosa Chaúque, porta-voz do Comando Provincial da PRM, a ação policial visou desarticular redes locais de tráfico que têm contribuído para o agravamento do consumo de estupefacientes entre os jovens. “Durante a operação, foram detidos dez indivíduos, encontrados em flagrante delito a consumir drogas. Também foi capturado o proprietário da residência onde operava a boca de fumo”, revelou Chaúque.
Foram apreendidas várias quantidades de cannabis sativa (vulgo suruma), anfetaminas acondicionadas em saquetas, e cerca de 18 mil meticais, presumivelmente resultantes da venda de droga. O proprietário do local disfarçava a sua actividade criminosa fazendo-se passar por agente de moeda eletrónica, numa tentativa de despistar as autoridades.
“Este tem sido o truque usado para encobrir a venda de drogas nos bairros da cidade de Nampula”, explicou Chaúque.
A operação integra um esforço mais alargado da PRM para conter o surgimento de novas bocas de fumo, que, segundo a polícia, “têm proliferado como cogumelos em tempo de chuva”. Só este ano, foram desativadas estruturas semelhantes nos bairros de Carrupeia e Namicopo.
Além das detenções por tráfico, a PRM apresentou igualmente dois cidadãos implicados num esquema de falsificação de documentos de um combatente falecido, com os quais lograram levantar mais de 204 mil meticais de uma instituição bancária. O esquema envolvia a cumplicidade de um funcionário do banco e recorria a um idoso de 67 anos, usado como ‘testa-de-ferro’ para realizar os levantamentos.
O proprietário da boca de fumo desmantelada confessou ter recebido a droga de um cidadão estrangeiro, actualmente em parte incerta. Segundo o próprio, a venda visava saldar uma dívida de 75 mil meticais.
A PRM reforça o apelo à colaboração das comunidades locais, encorajando a denúncia de comportamentos que atentem contra a ordem e segurança públicas. “A participação activa da população é fundamental para que possamos travar o avanço do crime e proteger os nossos jovens”, sublinhou Chaúque.
A resposta da PRM vem confirmar a gravidade da situação exposta pelo Jornal NGANI, edição no184, datada de segunda-feira, 16 de Junho de 2025, e mostra que a pressão mediática e o jornalismo investigativo continuam a desempenhar um papel essencial no combate à criminalidade e na promoção da justiça social.
Por Agostinho Miguel

