Sociedade
SERNIC nega envolvimento de seu agente em quadrilha de assaltantes em Mogovolas
O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), em Nampula, refutou esta quarta-feira (16) as informações que indicavam o alegado envolvimento de um dos seus agentes numa rede criminosa responsável por assaltos no distrito de Mogovolas.
A reação surge na sequência da detenção, na semana passada, de cinco membros da Polícia da República de Moçambique (PRM), supostamente ligados a assaltos contra empresários e residentes de Mogovolas. Entre os detidos, havia relatos de que um seria agente do SERNIC, informação que a instituição prontamente desmentiu.
Em conferência de imprensa convocada para esclarecer o assunto, a porta-voz do SERNIC em Nampula, Enina Tsinine, foi categórica ao afirmar que “nenhum agente da nossa instituição está envolvido no caso”. Segundo Tsinine, todos os detidos são efectivos da PRM.
“O Serviço Nacional de Investigação Criminal recebeu a denúncia, seguiu os trâmites legais e executou os mandados de detenção. Até ao momento, não temos qualquer agente nosso detido ou indiciado. No entanto, aguardamos o pronunciamento formal do tribunal, após termos enviado um ofício a solicitar mais informações sobre o suposto envolvimento de um agente do SERNIC”, esclareceu.
Tsinine frisou que a própria investigação que culminou nas detenções foi desencadeada pelo SERNIC, após ter recebido informações sobre os crimes ocorridos no distrito de Mogovolas, a sudoeste da província.
De acordo com dados divulgados na imprensa local esta semana, os cinco agentes agora detidos estão a responder ao processo em liberdade condicional, sob termos de identidade e residência.
Durante a conferência, a porta-voz abordou ainda a escalada de assaltos a empresários do sector mineiro, reiterando que o SERNIC tem estado a trabalhar para desmantelar redes criminosas que operam em diversos pontos da província.
Ex-militar detido por burla com promessas falsas de emprego
Ainda na mesma ocasião, a Polícia apresentou à comunicação social um cidadão desmobilizado das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), indiciado pela prática de burla, usando falsas promessas de emprego.
Segundo o SERNIC, o acusado terá enganado várias pessoas, cobrando entre dois a quatro mil meticais por supostos serviços de facilitação no processo de ingresso nas fileiras das forças armadas. O indivíduo usava alegadas credenciais e documentos falsificados para dar credibilidade às suas promessas.
O processo-crime já foi instaurado e a investigação segue os seus trâmites, visando a responsabilização criminal do acusado. Durante a apresentação, o próprio indivíduo confessou os crimes, afirmando ter recorrido à burla por falta de emprego formal.
“Estou arrependido. Mas gostaria de dizer ao governo que não forme jovens para depois abandoná-los. Eu fui desmobilizado em 2012 e, até hoje, nunca consegui emprego. Concorri para a PRM, mas devido à burocracia, fui excluído. Foi assim que acabei entrando neste mundo”, declarou o detido.
Outras detenções
Na mesma conferência de imprensa, o SERNIC apresentou ainda dois indivíduos detidos por envolvimento em furtos e roubos de telemóveis na via pública, em Nampula. Ambos aguardam agora o desenrolar do processo judicial.
Por Agostinho Miguel