Na antiga feira de Cuamba, o cheiro de cinzas ainda paira no ar. Entre destroços e barracas calcinadas, os comerciantes tentam reerguer o que o fogo levou — não com ajuda do município, mas com o pouco que resta dos seus bolsos.
Dias depois de o vereador Precrácio Venâncio ter prometido investir 150 mil meticais na reconstrução das 47 barracas destruídas, a esperança deu lugar à frustração. No terreno, nenhuma obra, nenhum material, nenhuma palavra oficial. Apenas silêncio.
“Estamos a reerguer com os nossos fundos. O município ainda não disse nada”, contou à nossa redação um dos afectados, em tom de desalento.
A promessa inicial falava em “tempo recorde” e uso de material fornecido pela edilidade. Mas, até ao momento, os vendedores que perderam mercadorias e sustento continuam a enfrentar sozinhos as consequências do incêndio.
O choro da tragédia deu lugar à indignação. Os comerciantes sentem-se abandonados por quem deveria garantir não só respostas rápidas, mas também dignidade a centenas de famílias que dependem do mercado para sobreviver.
Enquanto as autoridades se calam, o mercado renasce de forma improvisada, sustentado pela resiliência de quem perdeu tudo.

