A Procuradoria-Geral da República (PGR) admite a possibilidade de o empresário Nini Satar estar por trás do assassinato do advogado Elvino Dias, ocorrido em Outubro de 2024, avançou o jornal Jornal O País.
A informação foi tornada pública esta quinta-feira pelo Procurador-Geral da República, Américo Letela, que quebrou o silêncio sobre um dos casos criminais mais mediáticos do país, após meses sem pronunciamento oficial.
Segundo Letela, as investigações em curso indicam que o homicídio pode estar relacionado com um processo judicial em que Elvino Dias actuava como mandatário. O caso envolve Edite Chilindro, alegadamente ligada a Nini Satar, e acusada de falsificação de documentos, incluindo uma certidão de óbito.
De acordo com a PGR, foram produzidos documentos falsos, supostamente emitidos por instituições de saúde da África do Sul, para sustentar a alegada morte da arguida. No entanto, diligências realizadas junto das autoridades sul-africanas permitiram concluir que não existia qualquer registo oficial de óbito, nem confirmação do local de enterro indicado.
O julgamento deste processo estava marcado para o dia 20 de Outubro de 2024, apenas um dia antes do assassinato de Elvino Dias, o que levanta suspeitas sobre uma possível ligação entre os dois factos.
Ainda assim, a PGR sublinha que esta não é a única linha de investigação. As autoridades continuam também a explorar a hipótese de o crime estar relacionado com o clima de tensão política gerado após a divulgação dos resultados das eleições gerais de 2024, contestados por sectores da oposição, incluindo o partido PODEMOS.
“São linhas concorrentes que estão a ser aprofundadas”, afirmou Letela, acrescentando que o processo permanece complexo e exige cautela.
No âmbito das investigações, pelo menos três suspeitos já foram identificados, dos quais dois se encontram em prisão preventiva no estabelecimento penitenciário de Maputo. As autoridades indicam que continuam a decorrer diligências, incluindo reconhecimentos e audições, com vista ao esclarecimento completo do caso.
A PGR apela à paciência da sociedade, garantindo que o processo segue os seus trâmites legais e que todos os esforços estão a ser envidados para responsabilizar os autores do crime. Redacção





















