A vila de Metangula, banhada pelas águas serenas do Lago Niassa, foi palco na última sexta-feira (24) do lançamento do mais recente livro do investigador moçambicano Jacinto Jamal, intitulado “O Mar em Moçambique: Infraestrutura, Regulação e Segurança”.
Mais do que uma obra académica, o livro é um convite a repensar o mar e as águas interiores como motores de desenvolvimento económico, social e estratégico para o país.
O evento, realizado no Jasmine Bay Hotel & Spa, reuniu representantes do governo, académicos, escritores e figuras culturais, num ambiente que misturou emoção, reflexão e orgulho pela investigação feita em torno de um tema que, segundo o autor, “continua a ser subestimado” na agenda nacional.
O mar como fronteira de oportunidades
Durante a cerimónia, o autor destacou que Moçambique precisa olhar para o mar e para os lagos como activos estratégicos, e não apenas como limites geográficos.
“O mar e os lagos não nos separam — unem-nos e sustentam a nossa economia, a nossa segurança e a nossa identidade”, defendeu Jacinto Jamal, acrescentando que a obra pretende contribuir para o debate sobre políticas públicas, regulação marítima e aproveitamento sustentável dos recursos aquáticos.
A apresentação do livro coube ao director provincial de Educação de Niassa, Matias Chapungo, que descreveu a publicação como “um contributo valioso para uma reflexão urgente sobre a economia azul e a gestão integrada das águas moçambicanas”.
Escolha simbólica: Metangula, onde o Lago fala por si
O administrador distrital do Lago, José Assane, sublinhou a importância simbólica da escolha de Metangula como palco do lançamento:
“É aqui onde o Lago Niassa é parte da vida das pessoas. Trazer esta reflexão até aqui mostra que o mar e o lago fazem parte de um mesmo corpo de esperança e de união nacional.”
Por sua vez, Carlos Jonasse, representante da Editora Oleba, considerou que o livro surge “num momento oportuno, em que o país precisa consolidar políticas públicas para explorar, com responsabilidade, o imenso potencial marítimo e lacustre que possui”.
Com base em pesquisa científica e análise de políticas, Jacinto Jamal defende que a infraestrutura portuária, a regulação costeira e a segurança marítima são pilares essenciais para o futuro de Moçambique. A obra propõe ainda um olhar estratégico sobre a integração das comunidades costeiras e ribeirinhas no desenvolvimento sustentável, colocando o “mar” — no seu sentido mais amplo — como uma infraestrutura viva que precisa ser gerida com visão e responsabilidade.
O lançamento terminou com um debate aberto sobre a economia azul, onde académicos e decisores locais reconheceram que o livro chega num momento em que o país precisa transformar conhecimento em acção.

