A gigante petrolífera francesa TotalEnergies foi apanhada na própria armadilha de marketing. Um tribunal de Paris condenou a multinacional por enganar os consumidores ao vender a imagem de empresa comprometida com a transição energética, enquanto continua a encher os cofres com lucros do petróleo e do gás.
A queixa foi movida por três organizações ambientalistas — Greenpeace França, Friends of the Earth e Notre Affaire à Tous — que acusaram a empresa de praticar greenwashing, termo que designa o “branqueamento ecológico” usado para dar aparência de sustentabilidade a negócios poluentes.
Segundo o portal norte-americano CleanTechnica, especializado em energia limpa, os juízes consideraram que a TotalEnergies “induziu o público em erro” ao afirmar, em campanhas e comunicados, estar “a caminho da neutralidade carbónica até 2050”. Essas alegações violam o Código de Defesa do Consumidor francês, por se tratarem de promessas ambientalmente enganosas.
A sentença obriga a petrolífera a publicar o teor da decisão no seu website durante seis meses e a pagar multas simbólicas às organizações que moveram o processo.
Rebranding que enganou o planeta
Em 2021, a Total anunciou uma nova era: trocou o nome para TotalEnergies, adoptou um logótipo colorido e prometeu “reinventar a energia”. Mas, na prática, pouco mudou.
Os relatórios financeiros mostram que, em 2023, mais de 90% das receitas — cerca de 240 mil milhões de dólares — vieram da exploração de hidrocarbonetos. O gás e o petróleo continuam a ser o coração do negócio.
O presidente da empresa, Patrick Pouyanné, defende que o gás natural é “um combustível de transição essencial”. Na realidade, a TotalEnergies está a expandir agressivamente as suas operações no Qatar, Moçambique e Estados Unidos, além de novos projectos de perfuração em águas profundas e fábricas petroquímicas no Médio Oriente.
Primeira condenação por greenwashing em França
A decisão é considerada histórica: é a primeira vez que uma gigante dos combustíveis fósseis é condenada em França por práticas de greenwashing. As organizações ambientais esperam que o caso crie precedente para travar a propaganda “verde” usada por empresas que, sob o pretexto da transição energética, continuam a financiar a crise climática.
“Apresentar-se como líder da transição enquanto se investe em petróleo é enganar o consumidor — e o planeta”, resume o CleanTechnica. Com esta condenação, a TotalEnergies vê desmascarado o seu duplo discurso: o da empresa que fala de futuro limpo, mas vive de um passado sujo.

