O desaparecimento do activista social e comunicador Sismo Eduardo Muchaiabande, uma das vozes mais firmes na defesa dos direitos humanos em Nampula, entrou hoje na segunda semana sem qualquer informação concreta sobre o seu paradeiro.
A ausência de esclarecimentos das autoridades e o silêncio prolongado desde a madrugada de 23 de Novembro intensificam os receios de que o caso possa configurar um desaparecimento forçado.
Nesta quarta-feira (03), a Rede Moçambicana dos Defensores dos Direitos Humanos (RMDDH) formalizou uma denúncia pública junto do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), com conhecimento da Procuradoria Provincial, do Gabinete do Governador e do Gabinete do Secretário de Estado. A iniciativa marca o início oficial das buscas institucionais pelo activista, que permanece incontactável há oito dias.

Segundo a RMDDH, a denúncia surge após vários dias de tentativas frustradas de localizar Sismo Eduardo, que desapareceu horas depois de relatar estar em “perigo de vida”. Na madrugada de 23 de Novembro, a sua residência terá sido cercada por indivíduos desconhecidos, levando-o a abandonar o local em busca de segurança. Desde então, os seus telefones estão desligados e não houve qualquer contacto com familiares, colegas ou organizações que o apoiam.
Em comunicado, o activista de direitos humanos Gamito dos Santos, conhecido como “Pai dos Defensores em Nampula”, descreveu a situação como “alarmante e insustentável”, apelando a uma intervenção imediata das mais altas autoridades provinciais. “As famílias, os colegas, toda a comunidade está desesperada. Não podemos normalizar este silêncio. Há indícios claros de tentativa de silenciamento”, afirmou.
Dos Santos alertou ainda para a circulação de rumores sobre o reaparecimento do activista — informações que considera falsas e perigosas, por desviarem a atenção do que está em causa. “Quem tiver qualquer informação fidedigna deve reportar imediatamente. Estamos a intensificar as buscas e a exigir transparência total do SERNIC.”
Sismo Eduardo, apresentador da Rádio e Televisão Encontro, tornou-se nos últimos anos numa figura incontornável do debate público em Nampula, frequentemente expondo alegadas violações de direitos humanos, conflitos comunitários e irregularidades institucionais. O seu trabalho granjeou reconhecimento, mas também fez dele um alvo de intimidações constantes.
Até ao momento, não existe qualquer pronunciamento oficial sobre suspeitos, motivações ou diligências concretas em curso. A sociedade civil reforça que o caso testa a capacidade do Estado de proteger os seus cidadãos mais expostos e exige uma investigação célere, rigorosa e transparente.
Com o passar dos dias, cresce a tensão na província e multiplica-se o apelo por respostas. Para muitos, cada hora sem notícias agrava o receio de que Sismo Eduardo tenha sido silenciado pelo próprio trabalho que desempenhava em defesa da população.
