A capital da Guiné-Bissau viveu, esta quarta-feira, um novo momento de tensão política após serem ouvidos disparos nas imediações da Presidência da República. Pouco depois, multiplicaram-se relatos de movimentações militares invulgares no centro do poder guineense.
Fontes locais e testemunhos recolhidos por órgãos internacionais indicam que o Presidente cessante, Umaro Sissoco Embaló, terá sido conduzido por militares ao quartel de Amura, sede do Estado-Maior das Forças Armadas. Até ao fecho desta notícia, não havia qualquer comunicação oficial por parte das autoridades.
A primeira confirmação parcial veio através de Susy Barbosa, ex-ministra dos Negócios Estrangeiros e aliada política de Embaló. Em declarações à DW, Barbosa descreveu o ambiente de incerteza que domina Bissau: “Sei que o Presidente foi levado para o quartel do Estado-Maior, mas não tenho grandes notícias, também estou a aguardar.”
Barbosa adiantou ainda que há indicações de que o ministro do Interior poderá igualmente ter sido detido, embora sublinhe que nenhuma confirmação oficial foi emitida até ao momento. Questionada sobre a possibilidade de se tratar de um golpe de Estado, a ex-chefe da diplomacia guineense respondeu: “Tudo indica que sim, estamos a aguardar.”
A Guiné-Bissau vive assim mais um episódio de instabilidade, num contexto político sensível marcado pela espera dos resultados eleitorais e pela histórica fragilidade das relações entre forças militares e civis. A situação permanece fluida, e novas informações poderão surgir nas próximas horas.

