A greve dos trabalhadores do Conselho Municipal de Angoche continua sem solução à vista, depois de os grevistas terem rejeitado a proposta apresentada pelo governador da província de Nampula, Eduardo Abdula, que se deslocou esta quinta-feira à cidade para negociar directamente com os manifestantes.
O encontro teve como objectivo encontrar uma saída para o impasse provocado por seis meses de salários em atraso. Falando aos trabalhadores, o governador afirmou que chegou a Angoche com espírito de diálogo e apelou a uma solução pacífica para o conflito laboral. “Eu vim na paz, quero na paz poder ajudar a resolver o problema”, declarou.
Durante a reunião, Eduardo Abdula explicou que, neste momento, o Governo não dispõe de recursos financeiros para liquidar a totalidade da dívida salarial. Como medida imediata, apresentou a proposta de pagamento de dois meses de vencimentos, assegurando que o montante já se encontra disponível. “Não há condições para se pagar os seis meses. Há condições para se pagar dois meses e depois continuarmos a lutar para resolver o resto”, afirmou, sublinhando que a retoma da normalidade depende da aceitação da proposta.
A reacção dos grevistas foi imediata. Em nome dos trabalhadores, o representante do grupo rejeitou a proposta e exigiu o pagamento integral dos salários em atraso. “Com todo o respeito, Excelência, não aceitamos o pagamento de apenas dois meses. Exigimos o pagamento total”, declarou perante o governante.
Os grevistas alegam ainda que o pagamento por via bancária poderá não beneficiar os trabalhadores, devido à existência de dívidas acumuladas. Segundo afirmam, os valores depositados poderão ser automaticamente retidos pelas instituições financeiras. “Se o dinheiro entrar na conta, o banco vai tirar por causa das dívidas. Mesmo em mão, acaba nas mãos dos agiotas”, argumentaram.
A paralisação tem vindo a afectar vários serviços essenciais na cidade de Angoche, com destaque para a limpeza urbana, a administração municipal e outros sectores básicos, causando transtornos significativos à população.
Apesar do apelo do governador para uma solução faseada, os trabalhadores mantêm a greve, enquanto aguardam uma proposta que responda integralmente às suas reivindicações salariais. Até ao final do encontro, não houve entendimento entre as partes.

