O sector da Educação em Nampula está sob fogo cruzado devido a vários casos de corrupção e má gestão que vêm sendo reportados nos últimos meses. Durante a Primeira Reunião Provincial de Planificação do sector, o Director provincial da Educação, William Tunzine, revelou que foram detectadas irregularidades graves no uso de fundos do programa de Apoio Directo às Escolas (ADE), bem como no processo de admissão de novos professores.
Um dos casos mais graves foi reportado no distrito de Mecubúri, onde técnicos do Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia terão manipulado os valores a serem entregues às escolas, canalizando parte dos montantes para contas impróprias. “Os colegas foram responsabilizados e o caso está na justiça. Além disso, instaurámos um processo disciplinar para punir os envolvidos”, afirmou Tunzine.
A situação motivou várias reflexões entre os gestores escolares presentes na reunião, muitos dos quais manifestaram preocupação com a fragilidade dos mecanismos de controlo interno. “Se os fundos destinados às escolas estão a ser desviados, isso compromete a aquisição de materiais, manutenção das infraestruturas e o bem-estar dos alunos”, lamentou um dos participantes.
Noutra ocorrência recente, uma funcionária da Direcção Provincial foi acusada de envolvimento num esquema de cobranças ilícitas durante o processo de contratação de novos professores. “Queremos desencorajar essas práticas. A nossa província deve dar exemplo de transparência e responsabilização”, reforçou Tunzine.
O Director apelou à intervenção das instituições de justiça e órgãos de auditoria para investigar profundamente os casos e fortalecer os mecanismos de prevenção. Também foi anunciada a intenção de criar uma unidade interna de ética e integridade dentro do sector educativo da província.
No encerramento da reunião, Tunzine deixou claro que não haverá complacência com actos de corrupção. “A Educação é um sector sensível e não podemos admitir desvios que prejudiquem o futuro das nossas crianças. A responsabilização será total.”
Por Lourenço Soares

