As obras de asfaltagem do troço Cuamba–Malema da Estrada Nacional n.º 14 (EN14) avançam de acordo com o cronograma estabelecido, depois da sua retoma em Março deste ano. A garantia foi dada pelo Ministro dos Transportes e Comunicações, João Matlombe, que visitou o local e manifestou satisfação com o andamento dos trabalhos a cargo da empresa chinesa CRIG.
Com cerca de 110 quilómetros de extensão, a obra contempla os sub-troços Cuamba–Morrusso (Niassa) e Malema–Thui (Nampula), e está planificada para estar concluída até 2027. A intervenção inclui asfaltagem, construção de 57 aquedutos e várias pontes, sinalização vertical e horizontal, bem como sistemas de drenagem. Está ainda prevista a instalação de uma portagem entre Morrusso e Lúrio.
Segundo o ministro, a reabilitação da EN14 terá impacto directo na redução dos custos de transporte e no estímulo à produção agrícola e comercial da região. “Niassa e Nampula têm enorme potencial agrícola. Uma estrada moderna vai facilitar a circulação de mercadorias e pessoas, reduzir custos logísticos e impulsionar o comércio com o Malawi”, afirmou Matlombe.
Impacto social e criação de empregos
Para além do benefício económico, o projecto prevê melhorias sociais para famílias que residem nas bermas da estrada. Entre as medidas, está a construção de um novo mercado destinado a vendedores informais que trabalham ao longo da via.
De acordo com o ministro, as obras vão gerar cerca de 450 empregos directos até à sua conclusão. No entanto, Matlombe alertou para o problema da ocupação ilegal de áreas de reserva rodoviária, sublinhando que tais situações criam custos adicionais à empreitada.
“Tecnicamente, não deveríamos compensar construções em áreas de reserva. É preciso reforçar a colaboração com as lideranças locais para proteger estas zonas e evitar que recursos sejam desviados para despesas não previstas.”
O processo de asfaltagem da EN14 não é novo. As primeiras intervenções começaram em 2011, a cargo da empresa portuguesa Gabriel Couto, mas o contrato foi rescindido em 2018 devido a atrasos. Alguns troços chegaram a ser asfaltados, embora sem sinalização e drenagem adequadas.
Entre 2019 e 2021, a CRIG concluiu o troço Cuamba–Muita, também na EN14, e agora é responsável pela finalização dos 110 quilómetros ainda por asfaltar. O projecto contempla medidas de resiliência para enfrentar períodos de chuvas intensas, incluindo o aumento da capacidade de vazão das pontes. “Os aquedutos e pontes tornam a obra mais dispendiosa, mas são essenciais para garantir a sustentabilidade da estrada a médio e longo prazo”, concluiu o ministro.

