O investigador moçambicano Jacinto Jamal, autor do livro “O Mar em Moçambique: Infra-estrutura, Regulação e Segurança”, alertou para os riscos da ausência de uma estação meteorológica no distrito do Lago, na província do Niassa, uma situação que obriga Moçambique a depender do vizinho Malawi para obter informações meteorológicas sobre o Lago Niassa.
Segundo Jamal, esta dependência coloca vidas em risco e compromete a segurança das embarcações que operam nas águas do lago, onde tempestades súbitas e ventos fortes são frequentes. “O distrito do Lago necessita urgentemente de uma estação meteorológica própria para reduzir os acidentes e incidentes lacustres”, advertiu.
O investigador explica que os dados fornecidos pelo Malawi demoram, por vezes, a chegar às autoridades locais e aos operadores do sector, o que limita a capacidade de resposta a mudanças repentinas nas condições climáticas. Essa lentidão, acrescenta, tem consequências diretas para pescadores, transportadores e passageiros, que muitas vezes partem para o lago sem qualquer previsão fiável do tempo.
“É grave que armadores e pescadores continuem a enfrentar o lago sem saber o estado do tempo. Estamos a falar de vidas humanas expostas ao risco todos os dias”, enfatizou Jamal.
O investigador defende que a instalação de uma estação meteorológica no distrito do Lago permitiria monitorar as condições atmosféricas em tempo real e melhorar o sistema de alerta precoce, prevenindo tragédias e reforçando a segurança das comunidades ribeirinhas.
Para além do impacto imediato na segurança, a medida também fortaleceria a capacidade institucional de gestão climática e promoveria um desenvolvimento mais sustentável das actividades pesqueiras e de transporte no Lago Niassa, um dos maiores recursos hídricos partilhados entre Moçambique, Malawi e Tanzânia.
“Trata-se de uma questão de soberania e de segurança pública. Um país costeiro e lacustre como Moçambique não pode continuar dependente de outros para prever o seu próprio tempo”, concluiu Jamal.

