Moçambique acolhe, entre esta terça e quarta-feira, o Diálogo Nacional sobre as Áreas de Conservação Transfronteiriças da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), um encontro que reúne representantes do Governo, da SADC e parceiros para avaliar os avanços da cooperação regional e definir novas estratégias de protecção da biodiversidade e desenvolvimento das comunidades.
Na abertura do encontro, o Secretário de Estado da Terra e Ambiente, Gustavo Dgedge, defendeu que as áreas de conservação transfronteiriças devem ser vistas como instrumentos de desenvolvimento sustentável e não apenas como espaços de preservação da fauna e da biodiversidade.
Segundo o governante, estes territórios representam uma oportunidade para impulsionar o ecoturismo, criar emprego, fortalecer cadeias de valor, melhorar os meios de subsistência das populações e aprofundar a integração regional entre os países da SADC.
Durante a sua intervenção, Dgedge fez um balanço dos principais resultados alcançados no âmbito da cooperação regional, destacando as operações conjuntas de combate à caça furtiva, à exploração ilegal de madeira, ao tráfico de fauna bravia e de carvão vegetal. Referiu ainda a elaboração dos planos integrados de desenvolvimento das áreas de conservação dos Libombos, ZIMOZA e Niassa-Selous, bem como o reforço da cooperação política e técnica entre os Estados-membros.
O Secretário de Estado anunciou igualmente que o Governo está a rever a Política de Conservação, o respectivo Plano de Acção e o regulamento das actividades de caça, reformas que visam tornar a conservação dos recursos naturais um motor de desenvolvimento económico sustentável e criar um ambiente mais favorável ao investimento.

“Queremos que a conservação melhore a vida das comunidades”, afirmou Gustavo Dgedge, reiterando o compromisso do Executivo em promover uma economia da vida selvagem assente na utilização sustentável dos recursos naturais.
Por sua vez, a Oficial Sénior de Programa para Recursos Naturais e Vida Selvagem do Secretariado da SADC, Ndapanda Kamine, destacou que a cooperação regional continua a ser determinante para a gestão integrada das paisagens terrestres e marinhas, defendendo a criação de áreas de conservação marinhas transfronteiriças para reforçar a protecção dos ecossistemas e promover uma economia azul sustentável.
A responsável manifestou ainda expectativa de que o encontro produza orientações para fortalecer a cooperação entre os Estados-membros e harmonizar políticas de gestão dos conflitos entre humanos e fauna bravia, um dos desafios crescentes enfrentados pela região.
O Diálogo Nacional decorre até 6 de Agosto e deverá produzir recomendações para reforçar a gestão das áreas de conservação transfronteiriças, conciliando a protecção do património natural com o desenvolvimento socioeconómico das comunidades que vivem nas zonas de conservação. Redacção
