Estigma mantém 78 doentes mentais afastados do convívio familiar

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Pelo menos 78 pacientes do Hospital Psiquiátrico do Infulene (HPI), na cidade de Maputo, permanecem internados apesar de já reunirem condições clínicas para regressar às suas famílias. A informação foi avançada pelo Jornal Domingo, que cita dados da direcção da unidade sanitária.

Segundo a publicação, os pacientes abandonados têm idades compreendidas entre os 23 e os 70 anos e permanecem institucionalizados há períodos que variam entre dois e 45 anos.

Em vários casos, o longo tempo de internamento agravou a perda de capacidades cognitivas, levando alguns utentes a deixarem de se recordar da sua idade, local de origem ou mesmo da identidade dos familiares, dificultando qualquer tentativa de reintegração.

De acordo com o Jornal Domingo, entre os pacientes abandonados encontram-se pessoas deixadas à porta do hospital, doentes transferidos de unidades sanitárias de outras províncias e cidadãos que, após estabilização clínica, foram rejeitados pelas próprias famílias devido ao estigma associado às doenças mentais.

A directora do Hospital Psiquiátrico do Infulene, Serena Chachuáio, afirmou que o fenómeno continua a crescer e alertou para as dificuldades enfrentadas pela instituição na localização dos familiares.

“Há necessidade de reforçar as campanhas de educação e sensibilização nas comunidades para que as pessoas compreendam que as doenças mentais não são transmissíveis e podem ser tratadas e controladas como qualquer outra patologia. Infelizmente, persistem crenças associadas a causas sobrenaturais que alimentam o estigma e o abandono”, declarou, citada pelo Jornal Domingo.

Segundo a responsável, em muitos casos os familiares fornecem contactos telefónicos e endereços incorrectos, inviabilizando o reencontro dos pacientes com as suas famílias.

Para minimizar o problema, o hospital trabalha em coordenação com os serviços de Acção Social, líderes comunitários e outras estruturas locais, recorrendo igualmente às redes sociais na tentativa de localizar parentes dos utentes.

Quando a reunificação familiar não é possível, alguns pacientes são encaminhados para lares de acolhimento destinados a pessoas idosas. Contudo, de acordo com a direcção da unidade sanitária, a capacidade destas instituições tem-se revelado insuficiente para responder à crescente procura. Redacção

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