Nuvunga questiona base técnica da proposta de redimensionamento das universidades

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O activista e defensor dos Direitos Humanos Adriano Nuvunga, director do Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD), dirigiu uma carta pública à Ministra da Educação e Cultura na qual questiona a proposta de redimensionamento das universidades públicas e acusa o Governo de desviar o foco dos problemas estruturais que afectam o ensino básico e secundário no país.

Na carta, datada de hoje, 08 de Março de 2026 e tornada pública a partir de Nuvunguene, província de Gaza, Nuvunga reage à Nota Conceptual sobre o Redimensionamento das Universidades Públicas em Moçambique, recentemente colocada em circulação pelo Ministério da Educação e Cultura. O documento propõe, entre outros aspectos, a reorganização do subsistema universitário, incluindo a possibilidade de se adoptar o modelo de “uma universidade pública por província”.

Segundo o director do CDD, a intenção de melhorar a eficiência institucional e optimizar a utilização de recursos públicos é legítima, mas reformas estruturais desta natureza exigem “base analítica sólida, evidência empírica consistente e visão estratégica clara” para o sistema de ensino superior.

Na sua análise, Nuvunga considera que a nota conceptual apresenta fragilidades significativas. Afirma que o documento carece de um diagnóstico rigoroso e empiricamente sustentado do subsistema universitário, limitando-se a mencionar problemas como fragmentação institucional e duplicação administrativa, sem apresentar dados concretos que permitam aferir a dimensão real dessas questões.

O activista também critica o recurso a experiências internacionais que, segundo ele, surgem de forma superficial e sem contextualização adequada à realidade moçambicana. Para Nuvunga, a proposta de concentrar as universidades públicas ao nível provincial aparece como “uma solução administrativa simplista” para desafios que, no seu entender, não estão devidamente identificados no documento oficial.

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Prioridades invertidas

Mais do que as questões técnicas relacionadas ao ensino superior, o activista manifesta preocupação com o que considera ser uma inversão de prioridades no sector da educação.

Na carta, sustenta que o Ministério deveria concentrar-se nos problemas estruturais que afectam o ensino básico e secundário, onde persistem turmas superlotadas, escassez de professores, falta de livros escolares e manuais com erros. Menciona ainda atrasos nas progressões e remunerações de docentes, bem como casos de alunos que continuam a estudar sentados no chão ou debaixo de árvores em diferentes pontos do país.

Nuvunga acrescenta que a corrupção no sistema educativo compromete a gestão pública e afecta directamente o processo de ensino e aprendizagem, defendendo que qualquer reforma no ensino superior será insuficiente se os problemas de base não forem enfrentados com prioridade.

O director do CDD defende que o redimensionamento das universidades públicas deve ser precedido de um debate público sério, informado e inclusivo, envolvendo académicos, estudantes, gestores universitários e a sociedade civil.

Para o activista, o país necessita de liderança comprometida com a qualidade da aprendizagem, com a integridade na gestão pública e com a dignidade das condições de ensino. Caso contrário, alerta, a reorganização institucional poderá transformar-se “em mais um exercício burocrático”, com risco de gerar maior confusão num sistema que já enfrenta desafios significativos. Redacção

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