Economia
Banco Africano de Desenvolvimento cria novos fundos para África enfrentar as mudanças climáticas
África está entre as regiões mais atingidas pelas mudanças climáticas. Secas prolongadas, ciclones e inundações estão a destruir colheitas, empobrecer famílias e forçar milhares de pessoas a abandonar as suas terras. Mesmo assim, o continente recebe menos de 3% do dinheiro mundial destinado à luta contra o aquecimento global.
Para mudar esta realidade, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) está a testar novos mecanismos de financiamento que possam ajudar os países africanos a adaptarem-se aos efeitos do clima e a investirem em energia limpa.
A iniciativa surge quando o mundo se prepara para a 30.ª Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP30), que vai decorrer em Belém, no Brasil, entre 10 e 21 de novembro de 2025. O encontro reunirá mais de 50 mil pessoas, entre líderes, especialistas e representantes da sociedade civil, para discutir soluções que possam reduzir as emissões de gases poluentes e garantir uma transição justa para os países mais pobres.
África perde muito e recebe pouco
Segundo o Banco Africano de Desenvolvimento, oito dos dez países mais afetados pelas mudanças climáticas estão em África. Estima-se que o continente perca entre 7% e 15% do seu PIB por causa das secas, inundações e ciclones, o que compromete a economia e a segurança alimentar.
Apesar das dificuldades, muitos países africanos estão a agir. O Banco Africano de Desenvolvimento tem financiado projectos de reflorestamento, agricultura sustentável, energia solar e economia circular — todos voltados para a criação de empregos verdes e a redução da pobreza.

“As mudanças climáticas já não são um problema distante. Estão a afetar a vida das pessoas todos os dias. Precisamos de soluções rápidas, e o financiamento é essencial”, disse Anthony Nyong, diretor de Alterações Climáticas do Banco.
Os projectos apoiados pelo Banco mostram resultados concretos. Na República Democrática do Congo, por exemplo, o Fundo de Investimento Climático ajudou Dorcas Tshabu, uma agricultora, a transformar uma área de savana numa floresta de 50 hectares.
“Antes, isto era tudo terra seca. Agora é floresta viva. O trabalho das minhas próprias mãos!”, contou Dorcas, orgulhosa da transformação.
Em Djibuti, o mesmo fundo financiou um projecto que levou água e agricultura sustentável a comunidades rurais. “Antes, a agricultura era um sonho. Hoje, alimento os meus filhos com o que cultivo”, disse Assia Obakar Hassan, mãe de três filhos.
Energia limpa e novas oportunidades
Outro programa, o Fundo de Energia Sustentável para África (SEFA), financia projectos de energia solar e eficiência energética. Na Zâmbia, um projecto solar de 32 megawatts está a ser construído com apoio do Banco e vai fornecer eletricidade a comunidades através de uma rede regional.
Desde 2011, o SEFA já apoiou mais de 100 projectos em todo o continente, criando empregos e reduzindo o uso de combustíveis fósseis.
O Banco também criou o Fundo Africano para as Alterações Climáticas, que financia acções locais de adaptação — como reflorestamento, gestão da água e agricultura resistente à seca — e o Fundo para a Economia Circular, que ajuda jovens empreendedores a transformar resíduos em produtos úteis.
O Banco Africano de Desenvolvimento estima que, até 2025, consiga mobilizar 4 mil milhões de dólares para apoiar países africanos vulneráveis. Em 2024, aprovou 31 milhões de dólares para projectos em Serra Leoa, Sudão do Sul, Djibuti e Madagáscar, que deverão criar 180 mil empregos e reduzir as emissões de 720 mil toneladas de dióxido de carbono.
“Estes fundos não são apenas números. São esperança para as famílias africanas que vivem na linha da frente da crise climática”, reforçou Nyong.
COP30: o momento da verdade
A COP30, que se realiza em novembro no Brasil, será um momento decisivo. Dez anos após o Acordo de Paris, os países vão avaliar se estão a cumprir a promessa de limitar o aquecimento global a 1,5 °C.
África vai chegar à conferência com uma mensagem clara: precisamos de mais apoio e menos promessas. Como resumiu um representante do Banco Africano de Desenvolvimento: “Os africanos não querem caridade. Querem parcerias justas para enfrentar juntos um problema que é de todos.”