Enfermeiros exigem conclusão urgente do Hospital Geral de Nampula

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Os enfermeiros da província de Nampula exigem ao Governo a conclusão e operacionalização urgente do Hospital Geral de Nampula, uma infra-estrutura cuja construção se arrasta há mais de uma década sem previsão concreta para a sua entrega.

Informações apuradas pelo NGANI indicam que, ao longo deste período, pelo menos dois empreiteiros foram contratados para executar as obras, mas ambos abandonaram o projecto antes de atingir metade da execução.

Apesar de sucessivas promessas feitas por dirigentes governamentais, que chegaram a apontar 2022 como prazo para a conclusão do empreendimento, a unidade hospitalar continua inacabada, aumentando a frustração entre os profissionais de saúde e a população.

Os enfermeiros defendem que a entrada em funcionamento do Hospital Geral de Nampula é fundamental para aliviar a pressão sobre o Hospital Central de Nampula, actualmente confrontado com elevados níveis de sobrecarga.

Falando durante as celebrações do Dia Internacional do Enfermeiro, assinalado esta segunda-feira, 12 de Maio, a representante dos enfermeiros, Ana Luísa, afirmou que a conclusão do hospital poderá contribuir significativamente para a melhoria da qualidade dos serviços de saúde na província. “A conclusão do Hospital Geral de Nampula vai descongestionar o Hospital Central, reduzir a sobrecarga de trabalho, melhorar o acesso aos serviços de saúde e criar oportunidades de emprego”, afirmou.

Na ocasião, Ana Luísa destacou ainda a importância da valorização da classe, sublinhando que a enfermagem exige preparação técnica, ética e responsabilidade profissional. “A enfermagem não é acessória, é central. Somos profissionais que planeiam, decidem e lideram equipas. Exigimos respeito e reconhecimento pelo nosso papel no sistema de saúde”, declarou.

Os profissionais denunciaram igualmente as condições precárias de trabalho nos serviços de saúde, caracterizadas pela escassez de recursos, insuficiência de equipamentos e elevada carga laboral. “Investir na enfermagem é investir na saúde. O respeito pela vida começa no respeito por quem cuida”, acrescentou.

Por sua vez, o chefe do Departamento de Saúde Pública, Samuel Carlos, reconheceu os desafios enfrentados pelo sector, sobretudo a insuficiência de profissionais para responder às necessidades da província. “Nampula tem mais de seis milhões de habitantes e conta com cerca de 3.500 enfermeiros. Este número é insuficiente e a situação é preocupante”, afirmou.

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Apesar das limitações, Samuel Carlos elogiou o empenho dos profissionais de saúde, que continuam a prestar assistência à população em condições consideradas difíceis. “Mesmo com a falta de insumos e materiais, os enfermeiros continuam a dar o seu máximo para cuidar da população”, sublinhou.

O responsável apelou ainda à observância da ética profissional, desencorajando práticas ilícitas e comportamentos que afectam negativamente a imagem da classe. “Devemos combater cobranças ilícitas e o mau atendimento. A enfermagem é uma missão que exige amor, empatia e compromisso com a vida”, referiu.

Entretanto, a directora do Serviço Distrital de Saúde, Mulher e Acção Social de Nampula, Isabel Flores Muanga, enalteceu o papel dos enfermeiros no funcionamento do sistema nacional de saúde. “Quando muitos estão a dormir, o enfermeiro está acordado. Quando há dor, é o enfermeiro que cuida, conforta e devolve esperança”, disse.

A dirigente considerou que os profissionais de enfermagem desempenham uma função essencial em todas as etapas da vida humana, desde o nascimento até aos momentos mais críticos. “Onde há um enfermeiro comprometido, existe esperança para o povo”, frisou.

Isabel Muanga reconheceu, contudo, que a classe enfrenta vários desafios, incluindo a sobrecarga de trabalho e limitações estruturais, defendendo mais investimento no sector.

“Precisamos de enfermeiros valorizados e capacitados, porque investir na enfermagem é investir no futuro da saúde pública”, concluiu. Agostinho Miguel

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