Vendedores denunciam exclusão na distribuição de bancas do Mercado do Peixe

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Vendedores que comercializavam peixe e mariscos no antigo Mercado do Peixe, na cidade de Nampula, denunciam ter sido excluídos da atribuição de bancas na nova infra-estrutura inaugurada nesta sexta-feira pelo edil Luís Giquira.

A obra, avaliada em cerca de 70 milhões de meticais, foi construída pelo Conselho Municipal de Nampula com financiamento do Governo da Noruega e apoio da organização não-governamental GAIN.

As queixas surgem depois da divulgação das listas de vendedores seleccionados para ocupar as novas bancas. Alguns comerciantes afirmam que foram recenseados durante o processo de preparação da transferência, mas acabaram por não encontrar os seus nomes entre os beneficiários.

As alegações de favorecimento não foram confirmadas pelo NGANI. O município rejeita a existência de irregularidades e assegura que as bancas foram atribuídas a vendedores que já exerciam a actividade no Mercado do Peixe.

Vendedores questionam critérios

Salimo Mucucete, que afirma vender no Mercado do Peixe desde 2008, contou ao NGANI que foi inscrito durante o levantamento dos vendedores para a nova infra-estrutura, mas não encontrou o seu nome na lista final de beneficiários.

O comerciante diz desconhecer a razão da exclusão e suspeita que parte das pessoas que receberam bancas não seja constituída pelos vendedores que tradicionalmente exerciam actividade naquele mercado.

“Os verdadeiros vendedores do mercado não chegam a dez dos que ocuparam o mercado. Por isso, nós, que não temos costas quentes, estamos ainda a vender os nossos produtos aqui fora, ao sol”, afirmou.

A alegação de que os beneficiários não seriam vendedores do antigo mercado, contudo, é uma percepção apresentada pelo comerciante e não foi comprovada de forma independente pelo jornal.

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Comerciante com mobilidade reduzida também ficou de fora

Mariamo Yahaia, que afirma trabalhar no comércio desde 1994, primeiro no Mercado 25 de Junho, conhecido por Matadouro, e posteriormente no Mercado do Peixe, disse igualmente ter sido recenseada, mas não recebeu uma banca.

A comerciante, que enfrenta dificuldades de locomoção, afirmou desconhecer os critérios que determinaram a sua exclusão.

“Eu não sei se é por causa dessa minha doença que não me deixaram entrar lá dentro. Estou aqui no sol a vender os meus produtos, mas a atitude não foi boa”, lamentou.

Os vendedores que ficaram fora da nova infra-estrutura continuam a exercer a actividade nas proximidades do mercado, situação que, segundo comerciantes já instalados nas novas bancas, poderá afectar o movimento de clientes dentro do espaço.

Alguns beneficiários temem que, caso os vendedores excluídos continuem a vender no exterior, parte dos clientes permaneça fora do mercado.

Mercado espera melhorar condições

O Mercado do Peixe funcionou inicialmente, segundo os comerciantes, na zona conhecida como Batatas. Em 2008, foi transferido para a zona dos Belenenses, onde permaneceu durante anos em condições consideradas inadequadas pelos vendedores.

Os comerciantes relatam que várias administrações municipais prometeram melhorar as condições do mercado, mas as intervenções demoraram a concretizar-se.

A construção da actual infra-estrutura foi lançada em 2024 pelo Conselho Municipal de Nampula. Contudo, as obras foram interrompidas na sequência das manifestações pós-eleitorais, durante as quais, segundo o município, materiais pertencentes ao empreiteiro foram roubados.

Após a retoma dos trabalhos, a construção foi concluída e o novo mercado foi inaugurado nesta sexta-feira.

Município rejeita favorecimento

Confrontado pelo NGANI com as reclamações dos vendedores que afirmam ter sido excluídos, o edil de Nampula, Luís Giquira, considerou as queixas normais num processo desta natureza e negou que tenham sido atribuídas bancas a pessoas provenientes de outros mercados.

“Queremos assegurar que os que têm bancas são os legítimos vendedores. Nenhum foi trazido de outro ponto”, afirmou Giquira.

O autarca apelou aos vendedores que se consideram prejudicados para solicitarem uma audiência no seu gabinete e apresentarem formalmente as suas reclamações, permitindo ao município verificar cada caso.

Giquira acrescentou que os vendedores que não conseguiram bancas poderão ser encaminhados para outros mercados a serem construídos pela autarquia.

“Essas reclamações são normais, mas aconselho os que se sentem lesados a marcar audiência no meu gabinete para fazer as denúncias”, afirmou.

Município anuncia novos mercados

O edil anunciou ainda que, na próxima semana, deverá ser lançada a primeira pedra para a construção de um novo Mercado 25 de Junho, conhecido por Matadouro.

Giquira garantiu igualmente que o município pretende construir mercados de referência nos diferentes postos administrativos da cidade. Redacção

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