Salomão Moyana rebate PGR e aponta ‘modus operandi’ do GOE no caso Elvino Dias

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Tal como o bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique, Carlos Martins, que manifestou reservas em relação às conclusões preliminares avançadas pela Procuradoria-Geral da República de Moçambique (PGR) sobre o assassinato do advogado Elvino Dias, o jornalista e analista político e social moçambicano Salomão Moyana juntou-se às vozes críticas.

Falando no domingo, durante o programa “A Semana com Salomão Moyana”, conduzido pelo jornalista José Belmiro, na MBCTV, Moyana começou por reconhecer o mérito no geral do informe do Ministério Público, mas apontou fragilidades na forma como algumas conclusões foram apresentadas.

O analista afirmou não ter ficado satisfeito com um dos esclarecimentos relativos ao caso Elvino Dias. Embora tenha valorizado o facto de a investigação já identificar suspeitos, criticou a indicação de Nini Satar — já falecido — como provável autor da morte do advogado, considerando essa linha de abordagem problemática.

Para Moyana, o homicídio não deve ser analisado como um episódio isolado, mas sim inserido num padrão de actuação. “O Elvino Dias não morreu de forma isolada. Morreu quase da mesma forma que o Anastácio Matavele. Morreu da mesma forma que outros, como o juiz Sílica, que foram baleados por pessoas bem organizadas e, logo a seguir, circularam informações sobre o tipo de grupos que executaram esses actos. Inclusive, informações de que essas pessoas saíram das cadeias”, afirmou.

Neste contexto, Moyana questiona a coerência da narrativa que aponta para um autor moral também já falecido. “Quer dizer, então, o Nini também controlava os reclusos, os tirava da cadeia para eles executarem pessoas? Eu não sei”, disse, sugerindo dúvidas quanto à consistência dessa versão.

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  • O último adeus de Elvino…

O decano do jornalismo moçambicano sustenta ainda que o padrão de execução do crime levanta outras hipóteses. “Eu penso que o modus operandi da morte do Elvino Dias é dos GOEs (Grupo de Operações Especiais, integrado nas Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM)). É a maneira como os GOEs, desde o início, actuaram para matar os opositores do poder político instituído. Agora, essa versão que o procurador trouxe, para mim, é uma grande novidade e precisa ser devidamente estudada”, declarou.

Para Moyana, a principal fragilidade da versão apresentada pela PGR reside precisamente na associação do crime a um presumível autor moral já falecido, o que, na sua leitura, fragiliza a consistência da narrativa investigativa. “A mancha que essa versão, para mim, traz é quando se pensa ou se alude a um provável autor moral falecido. Então, quer dizer, tanto a vítima faleceu como o provável autor moral faleceu, é como quem diz: aqui não temos muito a dizer, ambos faleceram”, afirmou.

O analista defende, por isso, a continuidade das investigações sem precipitações. “Eu penso que essa conclusão não parece correcta e não devemos embarcar nela. Devemos continuar a fazer outras diligências, conforme o próprio procurador prometeu, e não chegarmos a conclusões precipitadas, sobretudo essas conclusões em que depois os mortos é que são culpados.”, sublinhou.

Apesar das críticas, Moyana reconheceu aspectos positivos no informe apresentado pelo Ministério Público. “Tirando essa parte, que é a parte que eu menos gostei por me parecer uma versão preguiçosa, uma versão de fuga para frente, as outras abordagens pareceram bastante boas”, concluiu.

Redacção

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