Luciano Tarieque questiona o silêncio das instituições e exige investigação independente sobre a proliferação da droga que ameaça uma geração de jovens
A expansão do consumo do chamado “sal Makha” em Nampula está a alimentar suspeitas, indignação e perguntas para as quais, segundo o antigo delegado político do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Luciano Armando Tarieque, o Estado ainda não apresentou respostas convincentes. Perante a crescente circulação da substância, o político lança uma ironia mordaz que resume, em poucas palavras, a dimensão das suas inquietações: “Fica a sensação de que o Makha anda com escolta oficial”.
Para Tarieque, a proliferação da droga na província expõe fragilidades graves nos mecanismos de controlo e levanta dúvidas sobre a actuação das instituições responsáveis pela fiscalização de mercadorias e pela segurança pública.
“O silêncio das instituições face ao avanço das drogas em Nampula já não pode continuar. O povo tem direito a respostas claras, e o MDM vai cobrá-las”, afirmou.
Segundo o político, a principal questão continua sem resposta: se a substância não é produzida em Nampula, como conseguiu entrar e espalhar-se em larga escala pela província.
“A pergunta que hoje ecoa nas comunidades é simples: se o sal Makha não é produzido em Nampula, então como entrou? Por onde passou? Que rotas foram usadas para permitir a sua circulação em larga escala?”, questionou.
Tarieque aponta para possíveis falhas ou até eventuais cumplicidades institucionais, interrogando o papel desempenhado pela Polícia da República de Moçambique, pelas Alfândegas e pelos serviços responsáveis pela fiscalização portuária.
“Onde estava a Polícia nos postos de controlo? Onde estava a Alfândega no momento da entrada da mercadoria? Quem autorizou, quem inspecionou e que sistema falhou?”, perguntou.
Na sua perspectiva, uma operação desta dimensão dificilmente pode ser explicada apenas pela acção isolada de traficantes.
“Entrada ilegal de drogas em larga escala exige conivência, falha grave ou corrupção. E onde há falha, tem de haver responsabilização”, sustentou.
O antigo delegado do MDM alerta que a expansão do consumo de drogas está a destruir sonhos e a comprometer o futuro de muitos jovens.
“Nampula não pode transformar-se em depósito de drogas e cemitério de sonhos”, advertiu.
Defensor de uma resposta integrada, Tarieque considera que a prevenção, a reabilitação dos dependentes e o combate ao tráfico devem ser acompanhados de transparência institucional e responsabilização efectiva.
“Combate sério não se faz sem verdade. Enquanto não houver explicações claras sobre a entrada e circulação do sal Makha, a desconfiança vai continuar”, afirmou.
Para o político, a ausência de esclarecimentos alimenta a percepção de que redes criminosas possam estar a actuar com algum nível de protecção.
Perante este cenário, Tarieque exige uma investigação independente, capaz de identificar responsabilidades e restaurar a confiança dos cidadãos nas instituições.
“O povo de Nampula merece saber a verdade e merece um Estado que proteja, não que feche os olhos”, concluiu. Agostinho Miguel

